segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Charles Scholl: O movimento e a estática....
Charles Scholl: O movimento e a estática....: O movimento é relativo e sempre estará associado a algo estático, que justifica e dá a razão do próprio movimento. Já pensou que a sensação ...
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
do Site da Câmara de Esteio - PEC que proíbe privatizar serviços de água é aprovada pela comissão de Saúde da AL
Registrei o vereador Leo e o Rodrigo - Militantes de Esteio vibraram com a vitória da PEC na Comissão de Saúde, mas permanece a preocupação com a situação do Rio do Sinos.
Os vereadores integrantes do Comitê de Acompanhamento das Ações do Pró-Sinos, Jaime da Rosa (PSB), Leonardo Dahmer (PT) e Jane Battistello (PDT), estão comemorando a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que restringe a empresas públicas o direito de explorar serviço de água no RS, na manhã de ontem (7), pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa. A ideia é que, com a aprovação da Comissão, a proposta, que proíbe concessões à iniciativa privada, entre na pauta de votação do plenário. "Mobilizamos diversos municípios em um seminário na última semana onde o tema central foi a não privatização da água. Vamos aguardar, agora, a votação do plenário, onde a matéria precisa de 3/5 dos votos dos deputados, em dois turnos", destacam.
De autoria do deputado Luiz Fernando Schmidt (PT/RS) o projeto estabelece os serviços sobre a água como um serviço público essencial à vida. Ele explica que o propósito é de assegurar que as questões de ordem social prevaleçam sobre as de ordem econômica. “As águas de domínio do Estado são um bem público essencial à vida, cujo uso deve ficar subordinado ao interesse da população”, justificou, salientando que o texto da PEC não trata da exclusão da participação da iniciativa privada na execução dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto.
Chamada de "PEC da água", a matéria muda a Constituição do Rio Grande do Sul, garantindo o caráter público dos serviços de água e saneamento. A PEC também prevê que os serviços de água e esgoto só poderão ser prestados por empresas públicas ou de economia mista com o controle do poder público estadual.
confira
Regime Próprio de Previdência e a virtude na política
Vale percorrer todos os caminhos pela busca da virtude na política, pois os passos dados pelos trilhos da política do poder pelo poder nos trouxe à possibilidade de eliminar a humanidade com duas guerras mundiais.
Já aprovado na Câmara de Vereadores, o Regime Próprio de Previdência de Esteio, imprime mais uma pauta na agenda pública do município. Desde sua implementação, os atores sociais que se debruçaram sobre a melhor formulação possível para a nova instituição, observaram a complexidade do tema que é completamente apartado do senso comum. A proposta desenvolvida pela Prefeitura de Esteio teve acompanhamento de uma empresa terceirizada especializada em produzir os regramentos junto a consultoria jurídica do município e a produção dos percentuais resultantes do cálculo atuarial. O cálculo atuarial (nova palavra em nossa agenda pública) foi conferido por técnicos contratados pelo SISME, que fizeram trabalho em paralelo, com outra empresa contratada, que em posse das pranchas (outra palavra nova) com os dados dos funcionários do município, fizeram a fiscalização. A Câmara de Vereadores serviu como espaço adequado para apresentar o tema à sociedade. Com isso, realizou três Audiências Públicas com a presença dos funcionários, movimento que possibilitou a popularização do tema. Após a aprovação, na sessão do dia 1 de novembro, o município ganha 90 dias para implementar a estrutura que irá administrar o sistema previdenciário dos funcionários do município por cálculos de autonomia de 75 anos.
A novidade do Regime Próprio de Previdência trouxe à epiderme nuances desprezadas no cotidiano da política. De início, a própria política encontrou espaço para expor o desgaste que vive em nosso tempo. O assunto saltava aos olhos a todo o momento, na medida que o texto do projeto se mostrava correto, porém a preocupação central manifestada pelo SISME, por parlamentares e lideranças políticas questionava as possibilidades de má conduta, corrupção, malandragem, tudo em hipóteses. Os mais informados apresentavam exemplos de situações em que a índole dos gestores falhou promovendo prejuízos para muitas pessoas, com desvio de dinheiro público. Percebemos, por outro lado, que a preocupação sempre foi a criação de um texto infalível contra o achaque dos corruptos.
Além da estratégia defensiva na constituição do documento que, nesse ponto colocou todos, oposição e situação, do mesmo lado contra as possibilidades de corrupção, roubo ou fraude, também esteve presente a preocupação da autonomia. Um integrante da comunidade, aposentado do Banco do Brasil, Ênio, participou de forma brilhante com sugestões que traziam em seu âmago a preocupação da autonomia e provou que tais questões não estão contempladas na proposta. As observações vieram praticamente juntas. A autonomia entre os poderes traz credibilidade, muito escassa no ambiente da política. Nesse sentido, a proximidade da administração e o pertencimento sobre os recursos do fundo que dará sustentação ao Regime Próprio de Previdência também foram evocados como argumentos de lisura. Como disse o diretor de administração, Oraci Chitolina, as pessoas da cidade não vão tolerar fraudes, já que o recurso é do município. A afirmação se deu diante da proposta levantada pela ex-vereadora Jane Krahe, que ao debulhar o documento, sugeriu mais rigor na fiscalização para proteger o fundo.
É possível perceber que o processo de implementação da nova instituição está se dando na era digital. As ferramentas da internet, home-page e toda a tecnologia permitiu em tempo real o acompanhamento por parte dos interessados, com a publicação das atas, sínteses noticiosas, fotografias e documentos disponibilizados no site da Câmara de Vereadores de Esteio. Uma preocupação clara do Poder Legislativo em garantir a transparência sobre o processo. A mesma preocupação com a transparência pôde ser percebida pela Prefeitura que, ao elaborar o projeto, constituiu o grupo de trabalho e a forma como pretende administrar a nova instituição.
O debate em torno do Regime Próprio de Previdência contribuiu para mostrar que os gestores públicos, de maneira geral, estão preocupados com a corrupção. Compreendem que sistemas falhos contribuem para desvios de recursos e, com isso, avaliam que não existem santos entre nós. Que a nossa democracia já está mais madura. Que compreendem a luz pública como alternativa ao combate à corrupção e as fraudes, tornando evidente a estratégia da participação popular como saída para nos salvar da banalidade do mal, presente nos regimes totalitários que marcaram nossa história ao longo do século XX. Que ao abrir à comunidade, encontramos em nosso tecido social pessoas com capacidade para contribuir, tal como foi com a ex-vereadora Jane Krahe e com o advogado Ênio. Que ao apontar suas críticas em torno da política, manifestam e compartilham, ao mesmo tempo, todas essas virtudes.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Para nós, o João de Deus....felicidades
Nas entrelinhas da vida registrada nas Páginas do Jornal Eco do Sinos está presente a personalidade de uma pessoa especial. O papel tem sido o plano físico em que são depositadas suas impressões sobre o mundo, a partir do olhar esteiense. É impossível separar o texto de seu autor, pois ele brota da alma de quem escreve. A equipe do Jornal Eco do Sinos tem isso presente a cada suspiro cotidiano, quando aguarda com ansiedade sua elaboração, desde as reuniões de pauta onde surgem os conteúdos que são elaborados pelo jornalista João Machado. Seu trabalho encontra plena sintonia com o diretor Sérgio Heráclito, que dá forma nas páginas, diagramando os conteúdos que sintetizam a vida da cidade para ser partilhada por todos. Quando chega da gráfica a diretora Maria Inês faz questão de levar em mãos aos assinantes e seus colaboradores a concretização do trabalho. Essa dinâmica mantém o Jornal Eco do Sinos vivo por mais de 25 anos. Uma dinâmica que só é possível de ser mantida pelo amor à atividade da comunicação, já que um simples estabelecimento comercial poderia ser infinitamente mais lucrativo.
No dia 5 de dezembro todos pararam para olhar e dar importância à alma do jornal. Foi o aniversário do João, uma pessoa iluminada e religiosa, que faz da sua fé o combustível que nos motiva a continuar acreditando na construção de um mundo melhor. Muitas vezes podemos acreditar que o Eco do Sinos está fora de seu tempo ao pregar a honestidade nos negócios, a valorização dos segmentos mais vulneráveis do nosso tecido social, ao dar visibilidade às pessoas que dão vida para nossa cidade. Tal comportamento encontra franca contradição com o tempo da frieza nas relações, da sacanagem na política, da construção de esfinges simbólicas que se edificam cotidianamente na mentira e no estelionato intelectual. Muito desse contraste se dá pela alma do João, que vira a alma do Eco do Sinos e que não se acovarda em remar contra a correnteza, desde que seja o caminho da justiça social. Ele é um dos responsáveis pela manutenção deste guardião da qualidade da opinião pública da cidade de Esteio – o Eco do Sinos. Uma pessoa que temos orgulho de integrar nossa equipe e que amamos muito, por nos propiciar um cotidiano saudável em que um aprende com a vida do outro. Um feliz aniversário João, é a mensagem da equipe do Eco do Sinos, seus colaboradores e da comunidade esteiense que agradece seus esforços em nos manter informados.
No dia 5 de dezembro todos pararam para olhar e dar importância à alma do jornal. Foi o aniversário do João, uma pessoa iluminada e religiosa, que faz da sua fé o combustível que nos motiva a continuar acreditando na construção de um mundo melhor. Muitas vezes podemos acreditar que o Eco do Sinos está fora de seu tempo ao pregar a honestidade nos negócios, a valorização dos segmentos mais vulneráveis do nosso tecido social, ao dar visibilidade às pessoas que dão vida para nossa cidade. Tal comportamento encontra franca contradição com o tempo da frieza nas relações, da sacanagem na política, da construção de esfinges simbólicas que se edificam cotidianamente na mentira e no estelionato intelectual. Muito desse contraste se dá pela alma do João, que vira a alma do Eco do Sinos e que não se acovarda em remar contra a correnteza, desde que seja o caminho da justiça social. Ele é um dos responsáveis pela manutenção deste guardião da qualidade da opinião pública da cidade de Esteio – o Eco do Sinos. Uma pessoa que temos orgulho de integrar nossa equipe e que amamos muito, por nos propiciar um cotidiano saudável em que um aprende com a vida do outro. Um feliz aniversário João, é a mensagem da equipe do Eco do Sinos, seus colaboradores e da comunidade esteiense que agradece seus esforços em nos manter informados.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Schmidt fala sobre a PEC da Água durante seminário em Esteio

O deputado Luís Fernando Schmidt (PT) será um dos painelistas do 4º Seminário do Comitê Intermunicipal Legislativo de Acompanhamento das Ações do Pró-Sinos, que será realizado nesta quarta-feira (30), na Câmara de Vereadores de Esteio, com o tema Não à privatização da água. O parlamentar participa, em conjunto com o diretor de Operação da Corsan, Ricardo Rover Machado, do painel “breve histórico, ações e perspectivas do saneamento no RS, com enfoque na Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos”. Schmidt falará sobre a PEC 206/2011, a chamada PEC da Água, a partir das 10h45min.
Em tramitação na Assembleia Legislativa, a PEC apresentada pelo deputado no início deste ano determina que o Estado ou o Município detenham, no mínimo, 51% do capital votante e 51% do capital social das empresas de saneamento. A proposta não impede a participação da iniciativa privada, que pode deter até 49% do capital, mas quer garantir que o controle acionário seja do Estado, para prestar e planejar os serviços sobrepondo as necessidades da população aos interesses econômicos. “O debate que estamos propondo no Rio Grande do Sul busca ampliar a consciência em torno da ideia de que a água não é mercadoria e que em países que privatizaram o serviço, como França, Inglaterra e Bolívia, houve aumentos abusivos de tarifas, causando a indignação da população e a retomada do controle público do serviço. No Brasil, não será diferente”, adverte.
Também serão palestrantes do seminário, que se inicia às 8h30min e vai até as 16h, o prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi; o presidente da Associação Nacional dos Serviços de Saneamento (Assmae), Silvio José Marques; o diretor executivo do Consórcio Pró-Sinos, Júlio Dorneles; Vera Rambo, coordenadora do Projeto Cata-Vida, de Novo Hamburgo, entre outras autoridades na área ambiental e de saneamento.
Atualmente sob a presidência do vereador de São Leopoldo Nestor Schwertner (PT), o Comitê surgiu em 2007 e é integrado por vereadores de 32 municípios da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Um até logo para o amigo Alceu
Naquela quarta-feira, dia 23 de novembro, retornava para casa e o vi caminhando. Pensei e pronunciei em um silêncio confidencial de quem fala consigo, “alles gut”. O cumprimento secreto tinha sido para meu amigo Alceu, motorista da prefeitura, já que eu passava de carro e ele não tinha me visto. Não imaginava que esse gesto solitário seria o último, que não veria mais meu amigo caminhando pelas ruas da cidade com sua bolsa térmica em mãos. Ocorre que naquela noite, por volta das 22 horas o Alceu sofreu um ataque súbito e faleceu.
Eu estava trabalhando on-line, em casa, quando a notícia chegou e não acreditei. Pela manhã do dia seguinte o Secretário de Articulação Institucional e Comunicação, da Prefeitura de Esteio, Sigfried Bernich me mandou uma mensagem SMS e então, dividi a informação com minha esposa e choramos juntos a inconformidade da perda do amigo. É evidente que o sentimento que me assolava naquela manhã não tinha qualquer comparação com a situação que vivia os familiares do meu amigo pela perda do avô, do pai, do esposo. Nossa afinidade se deu, no início, pelo idioma alemão, que utilizávamos para nos cumprimentar e, diante das tensões cotidianas, fazer piadas. Piadas que só nós compreendíamos, repletas de palavrões disparados por mim, que o deixava enrubescido. Depois cada um ia para o seu lado às gargalhadas ao tempo que a plateia do entorno ficava com aquela expressão interrogativa, sem solução.
Ele trabalhava na Secretaria da Habitação e, na primeira oportunidade que tive, fiz um esforço para que integrasse nossa equipe, junto a secretaria da Comunicação. Sua postura profissional era impecável e foi um grande apoiador do Prefeito Gilmar Rinaldi, motivo de muitos debates que ocorriam em torno da mesa do Rogério, no subsolo da Prefeitura, logo que retornei para Esteio, em 2005. Depois disso, a Jornalista Clarissa Collares tomou frente na organização da programação de valorização dos funcionários da prefeitura. Ação que via com bons olhos, pois ações de endomarketing sempre foram muito raras e a ideia de valorização dos servidores se debruçava historicamente sob o aspecto economicista e salarial. Via a ação da Clarissa como um gesto administrativo de vanguarda ao implementar o programa de mostra de talentos entre os funcionários. Entre músicos anônimos, atores, poetas encontramos o Alceu apresentando seu talento com pudins e culinária típica alemã. Impressionante!!!
Logo esse talento se tornou popular entre todos e ninguém mais conseguia levar um dia de trabalho sem saborear uma trufa. Nas ceias da equipe ele assumia sua vocação de mestre cuca e preparava, com muito carinho e dedicação, a refeição que marcava na memória a festa e a confraternização. Nos momentos especiais eu encomendava a famosa lasanha de salmão, que compartilhava com os amigos mais íntimos. Sempre que fazia isso lembrava a importância da ação liderada pela amiga Clarissa, que ora revelara um talento que se escondia por detrás do volante. Creio que Alceu permanecerá na memória de todos como uma pessoa de paladar refinado, que conhecia muito da culinária, ao invés do motorista da prefeitura que caracterizava sua função profissional. Creio que ele será lembrado pelo seu talento, pela sua simpatia e pelo espírito brincalhão que lhe marcou, ao longo do tempo, em sua face traços claros de quem passava grande parte de seu dia com um sorriso impresso no rosto.
Em seu velório, realizado no dia seguinte em São Leopoldo, ainda não tinha me dado conta de como Alceu marcou minha vida. Enquanto o ministro religioso fazia a cerimônia percebia que algo estava muito desconforme com meu amigo. Pois já se passavam alguns minutos e seu semblante não mudara, coisa que em situação normal não ocorreria, em pouco temo em sua presença sempre emergia um marcante sorriso. Olhei para o lado, mesmo sem falar nada, minha esposa então disse: _ Nunca tinha visto ele tanto tempo sem sorrir. Uma bela síntese da vida e juntos choramos e nos despedimos dele com um até logo. Tivemos a clareza de que ele estava sempre presente conosco, mesmo quando vida profissional nos colocou em caminhos diferentes. Agora não será diferente, pois o limite da vida é algo que ele conheceu primeiro, mas essa lição será conhecida por todos nós e desejo poder reencontrar o amigo, caso isso seja possível.
Eu estava trabalhando on-line, em casa, quando a notícia chegou e não acreditei. Pela manhã do dia seguinte o Secretário de Articulação Institucional e Comunicação, da Prefeitura de Esteio, Sigfried Bernich me mandou uma mensagem SMS e então, dividi a informação com minha esposa e choramos juntos a inconformidade da perda do amigo. É evidente que o sentimento que me assolava naquela manhã não tinha qualquer comparação com a situação que vivia os familiares do meu amigo pela perda do avô, do pai, do esposo. Nossa afinidade se deu, no início, pelo idioma alemão, que utilizávamos para nos cumprimentar e, diante das tensões cotidianas, fazer piadas. Piadas que só nós compreendíamos, repletas de palavrões disparados por mim, que o deixava enrubescido. Depois cada um ia para o seu lado às gargalhadas ao tempo que a plateia do entorno ficava com aquela expressão interrogativa, sem solução.
Ele trabalhava na Secretaria da Habitação e, na primeira oportunidade que tive, fiz um esforço para que integrasse nossa equipe, junto a secretaria da Comunicação. Sua postura profissional era impecável e foi um grande apoiador do Prefeito Gilmar Rinaldi, motivo de muitos debates que ocorriam em torno da mesa do Rogério, no subsolo da Prefeitura, logo que retornei para Esteio, em 2005. Depois disso, a Jornalista Clarissa Collares tomou frente na organização da programação de valorização dos funcionários da prefeitura. Ação que via com bons olhos, pois ações de endomarketing sempre foram muito raras e a ideia de valorização dos servidores se debruçava historicamente sob o aspecto economicista e salarial. Via a ação da Clarissa como um gesto administrativo de vanguarda ao implementar o programa de mostra de talentos entre os funcionários. Entre músicos anônimos, atores, poetas encontramos o Alceu apresentando seu talento com pudins e culinária típica alemã. Impressionante!!!
Logo esse talento se tornou popular entre todos e ninguém mais conseguia levar um dia de trabalho sem saborear uma trufa. Nas ceias da equipe ele assumia sua vocação de mestre cuca e preparava, com muito carinho e dedicação, a refeição que marcava na memória a festa e a confraternização. Nos momentos especiais eu encomendava a famosa lasanha de salmão, que compartilhava com os amigos mais íntimos. Sempre que fazia isso lembrava a importância da ação liderada pela amiga Clarissa, que ora revelara um talento que se escondia por detrás do volante. Creio que Alceu permanecerá na memória de todos como uma pessoa de paladar refinado, que conhecia muito da culinária, ao invés do motorista da prefeitura que caracterizava sua função profissional. Creio que ele será lembrado pelo seu talento, pela sua simpatia e pelo espírito brincalhão que lhe marcou, ao longo do tempo, em sua face traços claros de quem passava grande parte de seu dia com um sorriso impresso no rosto.
Em seu velório, realizado no dia seguinte em São Leopoldo, ainda não tinha me dado conta de como Alceu marcou minha vida. Enquanto o ministro religioso fazia a cerimônia percebia que algo estava muito desconforme com meu amigo. Pois já se passavam alguns minutos e seu semblante não mudara, coisa que em situação normal não ocorreria, em pouco temo em sua presença sempre emergia um marcante sorriso. Olhei para o lado, mesmo sem falar nada, minha esposa então disse: _ Nunca tinha visto ele tanto tempo sem sorrir. Uma bela síntese da vida e juntos choramos e nos despedimos dele com um até logo. Tivemos a clareza de que ele estava sempre presente conosco, mesmo quando vida profissional nos colocou em caminhos diferentes. Agora não será diferente, pois o limite da vida é algo que ele conheceu primeiro, mas essa lição será conhecida por todos nós e desejo poder reencontrar o amigo, caso isso seja possível.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
O JORNALISMO COMO DESAFIO
Marcos Rolim
Alguém, no Brasil, que se interesse por política e que deseje saber o que os governantes, os parlamentares e os gestores públicos estão fazendo ou planejando não encontrará muita informação de qualidade em nossos jornais e revistas.
Se houver o interesse de compreender as decisões políticas, o problema será ainda maior. Atualmente, são pequenas as chances do leitor exigente encontrar uma análise política que acrescente algo relevante àquilo que todos sabem. Primeiro, porque os jornais não oferecem o espaço necessário para o texto. Os veículos precisam aumentar o número de leitores e perseguem este objetivo, como regra, simplificando as abordagens. O pouco tempo para a produção das matérias e a redução do número de profissionais nas redações pavimenta o caminho para a superficialidade. Se desconsiderarmos os pequenos espaços, reservados aos artigos de opinião e à elaboração cada vez mais esporádica de matérias consistentes, fica evidente a tendência editorial em favor das matérias curtas, das notícias cada vez mais descontextualizadas, e, é claro, da cobertura do “escândalo” da vez.
O papel do jornalismo investigativo é muito importante – especialmente em uma realidade como a brasileira. Mas é preciso considerar que, se a esmagadora maioria das matérias sobre política dão conta de práticas suspeitas ou de fofocas eleitorais, o que se torna invisível é, precisamente, a substância das políticas públicas. Neste particular, a recente polêmica de Caco Barcelos com a colunista da Folha de São Paulo, Eliane Catanhede, na Globo News, sugere uma agenda importante.
Referindo-se ao papel da mídia na derrubada de ministros, Eliane disse que 2011 estava sendo um ano “alvissareiro” para a imprensa brasileira. Caco Barcelos, então, pergunta: “Será mesmo?” Seu argumento é que tem sido comum que matérias acusem, e também sentenciem, uma conduta que não constituiria propriamente “jornalismo”. Em recente seminário da AJURIS, o Desembargador Cláudio Baldino Maciel assinalou que, se juízes fizessem jornais, eles teriam uma linguagem inacessível, seriam longos, chatos e nunca seriam editados com a necessária agilidade. Por outro lado, disse, se jornalistas prolatassem sentenças, elas seriam muito rápidas, inapeláveis e frequentemente injustas. Penso que, neste ponto, lhe assiste toda a razão e que o melhor jornalismo é aquele que informa, não aquele que julga. Ocorre que, para bem informar, é preciso que o jornalismo reflita a complexidade do real. Vale dizer: é preciso lidar com fenômenos contraditórios que nunca serão apreendidos imediatamente e cujos significados mais importantes demandam, sobretudo, o pensamento. Reside aí, precisamente, o maior desafio do jornalismo: informar para estimular a reflexão autônoma, a dúvida sistemática. Quando o jornalismo produz certezas, algo nele vai muito mal. Quem “paga a conta”, claro, é o leitor que pensa que compreendeu tudo quando sequer lhe foi oferecida a condição para que comece a ver para além da névoa que encobre o mundo
Alguém, no Brasil, que se interesse por política e que deseje saber o que os governantes, os parlamentares e os gestores públicos estão fazendo ou planejando não encontrará muita informação de qualidade em nossos jornais e revistas.
Se houver o interesse de compreender as decisões políticas, o problema será ainda maior. Atualmente, são pequenas as chances do leitor exigente encontrar uma análise política que acrescente algo relevante àquilo que todos sabem. Primeiro, porque os jornais não oferecem o espaço necessário para o texto. Os veículos precisam aumentar o número de leitores e perseguem este objetivo, como regra, simplificando as abordagens. O pouco tempo para a produção das matérias e a redução do número de profissionais nas redações pavimenta o caminho para a superficialidade. Se desconsiderarmos os pequenos espaços, reservados aos artigos de opinião e à elaboração cada vez mais esporádica de matérias consistentes, fica evidente a tendência editorial em favor das matérias curtas, das notícias cada vez mais descontextualizadas, e, é claro, da cobertura do “escândalo” da vez.
O papel do jornalismo investigativo é muito importante – especialmente em uma realidade como a brasileira. Mas é preciso considerar que, se a esmagadora maioria das matérias sobre política dão conta de práticas suspeitas ou de fofocas eleitorais, o que se torna invisível é, precisamente, a substância das políticas públicas. Neste particular, a recente polêmica de Caco Barcelos com a colunista da Folha de São Paulo, Eliane Catanhede, na Globo News, sugere uma agenda importante.
Referindo-se ao papel da mídia na derrubada de ministros, Eliane disse que 2011 estava sendo um ano “alvissareiro” para a imprensa brasileira. Caco Barcelos, então, pergunta: “Será mesmo?” Seu argumento é que tem sido comum que matérias acusem, e também sentenciem, uma conduta que não constituiria propriamente “jornalismo”. Em recente seminário da AJURIS, o Desembargador Cláudio Baldino Maciel assinalou que, se juízes fizessem jornais, eles teriam uma linguagem inacessível, seriam longos, chatos e nunca seriam editados com a necessária agilidade. Por outro lado, disse, se jornalistas prolatassem sentenças, elas seriam muito rápidas, inapeláveis e frequentemente injustas. Penso que, neste ponto, lhe assiste toda a razão e que o melhor jornalismo é aquele que informa, não aquele que julga. Ocorre que, para bem informar, é preciso que o jornalismo reflita a complexidade do real. Vale dizer: é preciso lidar com fenômenos contraditórios que nunca serão apreendidos imediatamente e cujos significados mais importantes demandam, sobretudo, o pensamento. Reside aí, precisamente, o maior desafio do jornalismo: informar para estimular a reflexão autônoma, a dúvida sistemática. Quando o jornalismo produz certezas, algo nele vai muito mal. Quem “paga a conta”, claro, é o leitor que pensa que compreendeu tudo quando sequer lhe foi oferecida a condição para que comece a ver para além da névoa que encobre o mundo
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