terça-feira, 8 de maio de 2012

Avon, Silas Malafaia e a propagação da homofobia

Avon, Silas Malafaia e a propagação da homofobia

Silas Malafaia é um velho conhecido da comunidade gay no Brasil. O pastor, líder da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, costuma protagonizar polêmicas a envolver intolerância e preconceito. Em 2006, foi ele o responsável por uma manifestação diante do Congresso Nacional contra a lei criminalizadora da homofobia. Na ocasião o pastor afirmou que relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são a porta de entrada para a pedofilia. “Deveriam descer o porrete nesses homossexuais”, decretou, certa vez, em seu programa de tevê – em rede nacional, diga-se, valendo-se de seu direito de liberdade de expressão.




Parceria com gigante inglesa prevê investimentos em tecnologia no RS

Considerada uma das principais sócias da Petrobras, a BG Brasil (ex-British Gas) vem aumentando seus investimentos no Brasil. A previsão é de que, até 2020, a gigante inglesa invista US$ 30 bilhões, dos quais cerca de US$ 100 milhões serão disponibilizados para financiar, nos próximos três anos, projetos para desenvolvimento em tecnologia e inovação aplicados na exploração e produção de petróleo e gás. Para atrair boa parte deste recurso, o governo gaúcho assinou com a BG Brasil, nesta terça-feira (08), um protocolo de intenções para consolidar a parceria.
Atualmente, a BG tem dois convênios no Rio Grande do Sul: um para treinamento de soldadores com o Senai e outro para pesquisa em geociências com a UFRGS. A Secretaria do Desenvolvimento e a Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI) estabeleceram a aproximação institucional com os diferentes setores, visando consolidar o Rio Grande do Sul como prioritário da BG Brasil, além do Rio de Janeiro.
O governador Tarso Genro elogiou a postura da empresa de permanecer e se integrar à base produtiva brasileira e gaúcha: "O sentido de permanência é que nos faz manter essa relação de alto nível com a BG".
Para o presidente da BG Brasil, Nelson Silva, o acordo é "muito importante". "Nossa parceria estratégica com o Rio Grande do Sul é de longo prazo, e é para ficar. Em Rio Grande estamos construindo oito cascos de plataformas que vão operar no pré-sal e que já estão aquecendo a economia local".
"A BG é a maior sócia da Petrobras. Acredito que o Rio Grande do Sul tem potencial para capturar parte significativa destes investimentos, tanto para a área produtiva, como para pesquisa e treinamento profissional", salientou o secretário de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI), Mauro Knijnik.
"Temos o Pacto Gaúcho Pela Educação e o RS Tecnópole, que são projetos consistentes, com recursos garantidos e que dão o suporte necessário para a ampliação dos investimentos em inovação e tecnologia, além de estarem conectados com as necessidades das empresas", acrescentou o secretário de Ciência Inovação e Desenvolvimento Tecnológico, Cléber Prodanov.
Tarso disse ainda que o Rio Grande do Sul consolidou uma estrutura acolhedora para a instalação de empresas estrangeiras. Além dos investimentos públicos nos parques tecnológicos e na qualificação da mão de obra, o governador também relatou os recursos que estão sendo aplicados em infraestrutura (R$ 2,7 bilhões), a nova relação com o Governo Federal e a força do Banrisul e do Badesul.
Durante o encontro no escritório da empresa em Londres, os executivos da British Gas afirmaram que o ambiente de negócios no Brasil é totalmente estável e que as operações no Rio Grande do Sul são uma demonstração do sucesso da parceria com a Petrobras no País.

Texto: Guilherme Gomes



Governo do Estado apresenta Sistema de Participação na sede do Banco Mundial em Washington


O Sistema Estadual de Participação Popular e Cidadã do RS foi apresentado na tarde desta terça-feira (8) na sede do Banco Mundial, em Washington, nos Estados Unidos. Os secretários do Planejamento, Gestão e Participação (Seplag), João Motta, e o secretário chefe de gabinete e coordenador do Gabinete Digital, Vinicius Wu, falaram das experiências gaúchas para uma plateia de mais de 50 especialistas do banco. Entre eles, o diretor de Governo Aberto do Banco Mundial, Robert Hunja,a diretora do Banco Mundial para o Brasil, Deborah L. Wetzel, e o especialista em desenvolvimento da mesma instituição, Thomas Kenyon.
O evento é parte do processo de intercâmbio de conhecimento entre as duas instituições. Através do programa ICT4Gov, o Banco Mundial pretende não somente investir no aprimoramento das metodologias de participação do Estado como reaplicá-las em esfera nacional e até internacional.
O financiamento de mais de US$ 3 milhões para participação digital no RS foi oficialmente aprovado nesta semana pelo Banco, que também já iniciou os esforços técnicos para a transferência de tecnologia do Gabinete Digital para o programa "ICT to Empower the Urban Poor", atualmente executado pelo banco no Estado do Rio de Janeiro. O objetivo é aplicar a metodologia do Governador Pergunta para uma consulta pública nas favelas do Rio onde foram implantadas as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
De acordo com os especialistas em governo eletrônico do Banco, o Rio Grande do Sul é uma exceção quando se trata de participação cidadã. Enquanto as iniciativas de democracia participativa colocadas em prática mundo afora sofrem com um baixo envolvimento dos cidadãos, o RS consegue obter cerca de 1,2 milhão de votos em sua consulta pública sobre orçamento. "Esse ineditismo precisa ser estudado e ampliado", destacou a diretora do Banco Mundial para o Brasil, Deborah L. Wetzel.
O Banco também passa a integrar o Observatório de Democracia em Rede criado pelo Gabinete Digital, que reúne universidades, instituições e pesquisadores de vários países na busca por novas metologias de participaçao. Na comitiva brasileira estavam presentes também o presidente da Companhia Estadual de Processamento de Dados (Procergs), Carlson Aquistapasse, e o consultor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marco Aurelio Ruediger, que colabora com a implantaçao do Gabinete Digital.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Após 5 anos fora do ar, sinal da TVE é reativado em Rio Grande

Foi instalada mais uma retransmissora das 16 adquiridas pela Fundação Cultural Piratini. Os habitantes de Rio Grande voltaram a ter acesso à TVE, que estava fora do ar na região desde 2007. Para assistir à emissora na cidade, o telespectador deve direcionar a antena externa para o Porto e sintonizar o canal 2. Esta ação no interior do Rio Grande do Sul soma-se à recuperação das retransmissoras de Lajeado, Santa Cruz do Sul, São Luiz Gonzaga, Santana do Livramento e Palmeira das Missões, possibilitando que 582 mil habitantes que estavam sem acesso possam sintonizar a TVE. No início de 2011, havia apenas cinco retransmissoras em funcionamento. Hoje são 30 retransmissoras no ar, totalizando um alcance de 3,8 milhões de pessoas em todo o Rio Grande do Sul.

Texto: Anahy Metz Ediçao: Redação/Secom (51) 3210-4305

Ponto para a gestão de Pedro Osório

Quem é o presidente da Fundação Piratini que, em sua direção, retoma o espaço da TVE?

Pedro Luiz da Silveira Osório Natural de Jaguarão (RS). Graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Especialista em Sociologia e Mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutorando em Ciência Política pela mesma universidade. Possui experiência nas áreas de Jornalismo, Sociologia e Políticas Públicas e assessoria de comunicação. Desenvolve trabalhos principalmente nas áreas de teorias do jornalismo e da comunicação, e sobre a democratização da comunicação. Atuou nos jornais Correio do Povo, Gazeta Mercantil, Diário do Sul e O Interior, entre outros. Foi Secretário de Comunicação do governo municipal de Porto Alegre de 1993 a 1996 e presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Cultural Piratini. Atuou também como dirigente sindical dos jornalistas profissionais e integrou as comissões de ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS e da Federação Nacional dos Jornalistas. Atualmente é professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e Secretário Executivo do FNDC/RS (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação).

pedro-osorio@tve.com.br

Fone: (51) 3230-1550

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Projeto de Lei prevê mais segurança para usuários e funcionários de bancos

Um especial agradecimento a competência da jornalista Aline Adolphs, que tem contribuido muito na relação com o Gabinete Luis Lauermann. Assegurar a proteção aos usuários e trabalhadores nas instituições bancárias e financeiras e definir mecanismos de garantia da segurança. Esses são os objetivos do Projeto de Lei 60/2012, de autoria dos deputados Luis Lauermann e Luís Fernando Schmidt, ambos do PT. A proposição, que está sob análise da Comissão de Constituição e Justiça, estabelece mecanismos de segurança para inibir a atividade criminosa, identificar os responsáveis pela prática de atos ilícitos e dar apoio e informação aos órgãos de segurança pública. Segundo Lauermann, o projeto amplia as condições de segurança aos usuários das agências bancárias e instituições financeiras. “As medidas inibem a violência. A ideia é aumentar o videomonitoramento no interior da agência e nos caixas eletrônicos, também constrangendo ataques a caixas eletrônicos fora do horário de expediente”, explica. “Outro ponto importante desta proposta é a garantir a privacidade nas ações bancárias para os usuários que sacam no caixa eletrônico. Isso inibe um tipo de ação cada vez mais comum por parte dos criminosos, a chamada ‘saidinha de banco’, em que os assaltantes observam a movimentação do cliente na agência e investem contra a vítima já do lado de fora do estabelecimento”, completa. O deputado Luís Fernando Schmidt destaca a importância do projeto para a segurança dos próprios funcionários das instituições financeiras. "Este projeto de lei significa ampliarmos em nosso Estado as estruturas de segurança do sistema financeiro ao mesmo tempo em que acentuamos a segurança para os servidores das agências bancárias. Da mesma forma, buscamos incluir também os vigilantes, que terão um reforço preventivo e ostensivo nas suas atribuições”, ressalta. Para o diretor de Saúde da Fetrafi-RS e representante gaúcho na Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada da Polícia Federal (CCASP/PF), Juberlei Baes Bacelo, a iniciativa dos deputados petistas preenche uma lacuna na legislação estadual, já que todas as leis que tratam da segurança nos bancos são municipais. “Hoje, grande parte dos municípios está descoberta. Este projeto vem para padronizar a legislação”, explica. Ele torce para que o PL 60 seja aprovado. “É muito positivo termos projetos nessa área, já que os bancos acabam investindo mais em segurança somente quando são obrigados por lei”, reforça. Veja alguns pontos do PL 60/2012: As instituições bancárias e financeiras adotarão medidas capazes de promover a inibição de atividades criminosas, bem como, a identificação de responsáveis pela prática ou tentativa de atos ilícitos; As instituições ficam obrigadas a manter os equipamentos em perfeitas condições técnicas e operacionais, de sorte a viabilizar a inibição de atividades criminosas, a identificação de responsáveis pela prática de atos ilícitos e apoio de informação aos órgãos de segurança pública; Cada estabelecimento, agência ou posto de serviços bancários ou financeiros deverá dispor, entre outros, dos seguintes elementos mínimos: porta eletrônica de segurança, giratória e individualizada, em todos os acessos destinados ao público, contando com dispositivo de detecção de metais, travamento e retorno automático; vidros laminados e resistentes ao impacto de projéteis de arma de fogo nas portas de entrada, janelas, fachadas frontais e divisórias internas do piso de entrada; sistema interno de monitoramento e gravação eletrônica de imagens; e divisor físico entre os caixas de autoatendimento e nos caixas com bancários, de forma a garantir privacidade nas operações do usuário.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Papel estratégico das microempresas na economia


As micro e pequenas empresas possuem um papel estratégico no desenvolvimento econômico e social no Brasil. O assunto é recorrente em tempos de crise mundial, em que o segmento se mostra mais apto a socorrer as economias locais. Seja pela pronta resposta que dá na geração de empregos, seja pela distribuição de renda ou pela pulverização de oportunidades que transformam a vida das famílias constituintes da nossa sociedade.
No Brasil as micro e pequenas empresas tem uma participação de 99,1% na economia, 52,30% na geração de emprego, mas presenta apenas 20% do PIB. Tal situação representa uma relação desigual no mercado que requer a geração de políticas públicas para o setor. Se tomarmos a Alemanha em uma comparação sobre esses critérios as microempresas representam 97,2% da economia, gera 41% dos empregos e representa 33,50% do PIB.
A referência nacional é a Lei Complementar 123/2006, que institui o Estatuto Nacional da Microempresa (ME) e da Empresa de Pequeno Porte (EPP). A formalização do documento representou uma conquista e uma definição nacional de política pública para o segmento, além de avaliar as microempresas e as empresas de pequeno porte, segmentos estratégicos no desenvolvimento econômico e social do País.
Na economia local a microempresa é a melhor possibilidade de incremento nas relações econômicas, com geração de emprego e renda à comunidade local. Em Esteio, as microempresas contam com Lei Geral específica. A Lei Municipal 4,999, de 26 de novembro de 2009, institui a Lei Geral Municipal da Microempresa, Empresa de Pequeno Porte e do Microempreendedor Individual . A Lei é importante para o pleno desenvolvimento deste segmento e precisa ser respeitada em sua plenitude. O tratamento jurídico diferenciado busca, a partir de políticas de compensação, corrigir os equívocos históricos e fazer valer a direção da estratégia de desenvolvimento econômico regulamentada em nossa cidade.

Charles Scholl
Consultor de comunicação
Esparta – Ação Tática e Estratégia

segunda-feira, 12 de março de 2012

Presidenta Dilma revela a Nassif olhar da economia do Brasil



Em entrevista concedida ao jornalista Luís Nassif, a presidenta Dilma Rousseff diz que a preocupação número um do governo, daqui para diante, será com o tsunami monetário e os riscos que traz para a indústria brasileira. “As condições do mercado mudaram”, avisa. "Se perguntar hoje qual é o maior cuidado do governo, respondo: é acompanhar como o Brasil se defende dessas políticas que são abertamente protecionistas praticadas pelos governos desenvolvidos".
Luís Nassif


(*) Publicada originalmente no Blog de Luís Nassif
Quem imaginava uma presidente emocionalmente abalada, depois de chorar em público pela saída de um assessor, pode desistir. A Dilma Rousseff que entrou no salão do Palácio Alvorada para tomar café vinha lépida, feliz, rejuvenescida e entusiasmada pela visita a Hannover, Alemanha, para participar da Feira de Tecnologia.


Lá, conferiu os stands alemães, quase todos apenas com filiais de empresas coreanas.
Depois, os brasileiros, com sistemas criativos, inovadores. “Todo mundo tinha coisa bem legalzinha”, conta a mineira Dilma, Entusiasmou-se com o sistema de controle de voo da Embraer, com a apresentação de Marcos Stefanini, de uma empresa brasileira de TI, que mostrou o grande diferencial brasileiro: jeitinho, criatividade.

Foram 90 minutos de entrevista, interrompida por um telefonema de Lula que mostrou ter recuperado a voz.

A seguir, os trechos principais da entrevista. Nela, diz que a preocupação número um do governo, daqui para diante, será com o tsunami monetário e os riscos que traz para a indústria brasileira. “As condições do mercado mudaram”, avisa ela. E analisa também as marolas em torno da suposta crise da base política.

Como os países ricos estão tratando a crise

É importante analisar como os países ricos tratam a crise.
Comecemos pelos Estados Unidos. O governo Barack Obama assumiu que queria política de crescimento imediato e correção de rumos fiscais no médio prazo. O problema foi a derrota no Congresso que o obrigou a optar pelo "quantitative easing" (programa de expansão monetária). Empurraram a crise com a barriga, aumentaram a quantidade de dinheiro nos bancos, mas não rolaram as dívidas das famílias, o que poderia ter destravado o mercado interno. Só agora nas eleições, depois de quatro anos de crise, começam a rolar as dividas das famílias.

O "quantatitve easing" é um mix de política macro, com taxas de juros lá embaixo, expansão monetária acelerada e segurar o lado fiscal. É evidente que por trás dela há a intenção de desvalorizar o dólar e melhorar o emprego interno.

O governo Obama foi levado a isso politicamente.

No caso da Europa, não: optaram por isso. O último relatório do BIS (o banco central dos bancos centrais) mostra que a estratégia visa dois objetivos principais: impede a crise bancária e ganha tempo para dois mecanismos: desvalorizar o euro e jogar a conta sobre países emergentes que têm câmbio flutuante. Mas, por outro lado, pode estar criando uma enorme bolha monetária.

Não há unanimidade no governo alemão com respeito ao tamanho da liquidez. Para eles foi importante para evitar um Lehman Brothers alemão, mas só isso. Não existe unanimidade na Alemanha sem sobre isso nem em relação à Grécia. Por trás da expansão da bolhas, há um medo da inflação, pelo histórico alemão com a hiperinflação. Medo que nós compartilhamos.

A arbitragem com países de câmbio flutuante

No filme "Muito Grande para Falir", na cena final o Secretário do Tesouro Paulson pergunta a Ben Bernanke se estava satisfeito com o fato dos grandes bancos terem absorvido os empréstimos para rolar dívidas. Bernanke, quieto, responde: não tenho certeza se eles vão emprestar. De fato, não emprestaram: uma parte ficou depositada no próprio FED, outra parte foi devolvida.
No caso da Europa, são um trilhão de euros emprestados a 1% ao ano, que em breve entrarão na ciranda financeira. Irão investir em títulos da Itália e Espanha, aumentando sua exposição? Não: virão fazer arbitragem aqui e em outros países. Tem uma enorme bolha a caminho.
O problema é que essa desvalorização cambial artificial é a forma de protecionismo mais feroz que se tem. Há um discurso dos países centrais, de que são defensores do livre comércio. Mas praticam o protecionismo mais feroz que se tem. E essa desvalorização artificial da moeda não está regulada pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Então não venham reclamar de algumas medidas absolutamente defensivas que o Brasil toma.
Hoje em dia, via tsunami monetária, está em curso no mundo a prática das desvalorizações competitivas, o que se chama de "empobreça seu vizinho".
É uma situação esquizofrênica na Europa, que não consegue uma solução de crescimento.
Muitos países estão com graus de desemprego do ponto de vista política incompatível com sistemas democráticos abertos. A dívida grega não é financiável, assim como a de Portugal. Como conviver com nível de desemprego que chega a atingir 45% dos jovens? Destrói o tecido social, tira das pessoas a esperança.

A estratégia brasileira

No Brasil, vamos ter que perceber duas coisas:
Primeiro, as condições do mercado internacional mudaram. Estamos vivendo situação diferenciada. Não se pode perder a consciência do tsunami monetário. Tem que fazer avaliação sobre as estratégias a serem tomadas, e não se faz de forma abrupta e apaixonada. Com muita cautela, frieza, tranquilidade, iremos acompanhar o desenrolar da situação e tomar as medidas cabíveis.
Não tenho como adiantar as medidas cabíveis, mas para o governo brasileiro esta é a questão principal.
Se perguntar hoje qual é o maior cuidado do governo, respondo: é acompanhar como o Brasil se defende dessas políticas que são abertamente protecionistas praticadas pelos governos desenvolvidos.

A necessidade do investimento no Brasil

A própria China está promovendo uma transição do modelo de exportações para o mercado interno. Não vão parar de importar, mas irão se situar de forma diferente no mundo.
Por todas as manifestações que lemos: acho que os chineses se sentiram muito fragilizados diante da crise dos seus maiores mercados. Não podem mais confiar só no mercado externo.
Wen Jiabao disse que o modelo era desequilibrado, insustentável (usa quatro adjetivos): eminentemente desequilibrado: levará a impasses que terão que ser resolvidos.
A China caiu na armadilha do sobre investimento elevado, o que cria rigidez econômica muito forte. Agora, tentam fazer a versão.
No Brasil, anda estamos na fase de acelerar investimento. Em breve pretendo fazer uma reunião pessoal com os maiores empresários do país sobre a questão do investimento. Uma parte da decisão depende da expectativa, do que Delfim gosta de chamar de "espírito animal". O Brasil oferece todas as condições.
Em todos os lugares que vamos são as mesmas avaliações dos empresários internacionais. No último dia na Alemanha tivermos reunião com Angela Merkel na ABDI (o equivalente à nossa Confederação Nacional da Indústria).
A reunião foi para que nos falassem como pretender investir no Brasil. Havia uma porção de setores, quase uma rodada de negócios. E todos eles vinham, diziam que tinham empresa tal, na área tal, e todo interesse em investir no Brasil. Hoje em dia a maior parte da população alemã é de aposentados e crianças. E o Brasil tem o bônus demográfico. Eles olham para isso, para nosso mercado, para a estabilidade macroeconômica e política, para nossa tradição de respeitar contratos.

Revertendo a queda na indústria

Aqui não temos dúvida de que a economia mundial caminha para recessão com excesso de liquidez. A China reduzirá crescimento para 7,5% com a clara intenção de reverter o modelo para dentro. Outros grandes países vão perseguir esse fortalecimento do mercado interno, com, a possível exceção da Índia, que tem um déficit externo muito complicado.
Temos que ter consciência disso.
A situação atual não é a mesma de 2011. Nós tínhamos absorvido a expansão monetária dos Estados Unidos que de uma forma ou outra foi encaixada. Agora é absolutamente diferente, é recessão com uma gigantesca expansão monetária acumulada e uma tendência a uma volta aos mercados domésticos.
Vamos ter uma política clara em relação ao Brasil, da qual o melhor exemplo é a revisão do acordo automotivo com o México. Foi feito em 2002, em outra conjuntura, na qual cabia o acordo. E está em vigor até agora, em condições não adequadas ao Brasil.
O Brasil vai institucionalmente tomar medidas para garantir que nosso mercado interno não seja canibalizado. Tem queda na indústria, mas dá para reverter. Não daria se deixássemos continuar por dois, três anos. Agora dá e vamos fazer o possível e o impossível para defender a indústria nacional.

O papel da redução dos juros pelo BC

A redução dos juros, pelo Banco Central, não é só para esquentar a economia brasileira. Cumprimento o BC porque a intenção maior é equilibrar a taxa interna com a internacional. Hoje em dia esse diferencial é responsável pela maior arbitragem que existe no mundo.
Iremos fazer isso sem comprometer a luta contra a inflação.

O fantasmas das falsas crises políticas

Existe uma forma quase fantasmagórica de cobrir a política. A imprensa vem falando em crise com a base aliada. Não existe crise. Os conflitos - que sempre existirão - tem a ver com os processos pelos quais exercemos o nosso presidencialismo. Tem que ser de coalizão, mas não deixa de ser presidencialismo.
No caso do Brasil, alcançamos grande maturidade nas relações executivo-legislativo e executivo-judiciário. Podemos nos vangloriar de ter certa estabilidade.
Por aqui seria inconcebível uma relação Executivo-Congresso do tipo democrata-republicano As diferentes opiniões que se estruturam dentro da sociedade brasileira não permitiriam isso.
Temos tradição de sermos obrigados, como políticos que somos, a olhar o interesse de todos: o que nos EUA às vezes me parece que não é o caso.
Ninguém aqui pode durante muito tempo só defender seus interesses específicos sem que haja reação da parte da sociedade.
É sempre bom que tanto Executivo quanto Legislativo e Judiciários saibam que essa é exigência de postura de todos: presidentes, ministros, deputados, senadores e juizes. Esse é aspecto importante da nossa democracia e explica também porque, mesmo tendo eleições bastante atritadas, em alguns casos até duras, logo depois da eleição há como uma pacificação geral
Ai do presidente que não falar em nome de todos os brasileiros e brasileiras. Em outros países do mundo não se vê isso
Ao lado da coalizão há questão do interesse de todos, balanço do presidencialismo que fala em nome de todos e coalizão que são interesses partidários. É normal que se reivindique e se debata. É intrínseco a esse processo.
E partidos não podem arcar com ônus de inviabilizar acordos: são partes do acordo. Quando votam contra governo, são pontos muito específicos. Não tem desvio, conduta inadequada: que eles façam assim é da regra do jogo, que façamos de outro é da regra do jogo.