sábado, 26 de maio de 2012

Coluna diário de Viagem - Por Gildo Doebber - Sobre a VII Convenção Gaúcha de Solidariedade a Cuba


VII Convenção Gaúcha de Solidariedade a Cuba destaca trabalho do Jornal Eco do Sinos




No sábado, dia 19 de maio, a Associação José Marti promoveu a VII Convenção Gaúcha de Solidariedade a Cuba, realizada no Plenarinho da Assembleia Legislativa. A atividade foi coordenada pelo presidente da Associação José Marti, Ricardo Hasbaert e teve a participação do Cônsul de Cuba, René Capote e do representante do Instituto Cubano de Amizade Entre os Povos, Fábio Simeon. A atividade realizada representa a etapa gaúcha da VII Convenção Nacional, que aconteceu de 24 a 27 de maio, em Salvador - Bahia.
Charles Scholl entrega publicação para o Cônsul de Cuba, René Capote

Os gaúchos solidários a Cuba debateram sobre a integração da América Latina e Caribenha; a luta permanente contra o bloqueio econômico a Cuba; sobre a libertação dos cinco heróis cubanos presos ilegalmente nos Estados Unidos; sobre o combate á campanha midiática internacional contra Cuba e os temas da democracia e direitos humanos. No final do debate foi redigido um documento que foi levado para Bahia como síntese do encontro daquele sábado pela manhã.

O trabalho desenvolvido em Esteio, com a participação da Associação José Marti e do Instituto Cubano de Solidariedade entre os Povos – (ICAP), foi apresentado pelo Consultor Charles Scholl e avaliado como referência para o trabalho dos ativistas. “Iniciamos em 2010, com a promoção da 1ª Semana Che Guevara; depois realizamos a segunda edição e tivemos um dos leitores do Eco do Sinos que virou brigadista e foi para Cuba. O Gildo, de leitor virou colunista do espaço Diário de Viagem e o trabalho ajudou muito a superar o preconceito contra a esquerda política e a Cubam”, disse o comunicador social.





A entrega do Chapéu

Fiz amizades em Cuba, entre elas o representante do ICAP, Fábio Simeon, que reencontrei no Plenarinho da Assembleia Legislativa. Na oportunidade, lhe entreguei um chapéu de presente, já que ele se mostrara muito interessado em um chapéu que usei quando estava em Cuba. O presente também serviu para marcar a passagem de seus 55 anos, comemorados pelo cubano em nossas terras brasileiras.



Depoimento do Presidente da José Marti

“O relato que Charles Scholl nos trouxe sobre suas investidas em Esteio nos enche de motivação. O guarda chuvas ideológico que se construiu em torno do mandato do vereador Leo Dahmer permitiu a construção dessas possibilidades de superação de preconceitos. Além disso, nos trouxe ao convívio o esteiense Gildo, seu irmão Paulo, a jovem Natália e todas as pessoas que já nos acompanhavam, como Gerson do Sindipolo e uma legião de militantes e ativistas de esquerda solidários a Cuba, que agora conhece um pouquinho mais de Esteio.” Ricardo Hasbaert – Presidente da Associação José Marti.

sábado, 19 de maio de 2012

Charles Scholl: Como está a Dona Inês?

Charles Scholl: Como está a Dona Inês?: Como está a Dona Inês? é a pergunta que todos me fazem. Tenho dado respostas protocolares e resumidas, como se estivesse teclando no twitter...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

VII Convenção Gaúcha de Solidariedade a Cuba

O desejo de conhecer Cuba se realizou para muitos amigos que são solidários ao País. Amanhã, muitos deles vão estar no Plenarinho da Assembleia Legislativa – 3° andar, em Porto Alegre.
Veja a programação:

terça-feira, 15 de maio de 2012

Governo do Estado apresenta sistema de acesso às informações públicas

O governador do Estado, Tarso Genro, vai apresentar à sociedade gaúcha, nesta quarta-feira (16), às 14h, no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, o sistema eletrônico de acesso aos dados públicos do Poder Executivo, conforme determina a Lei Federal 12.527/11 de Acesso à Informação, que entra em vigor neste dia. Conforme a nova lei, instituições públicas e ONGs mantidas com recursos governamentais terão que disponibilizar serviços de atendimento aos cidadãos para que obtenham dados de interesse coletivo sem a necessidade de justificativa.

Durante a solenidade, será apresentado o site desenvolvido pela Procergs http://www.acessoainformacao.rs.gov.br/, onde os cidadãos poderão preencher um formulário encaminhando seu questionamento. O Rio Grande do Sul é o único Estado em que o Poder Executivo está trabalhando com sistema informatizado, a exemplo da Presidência da República. Também será disponibilizado um guichê no Centro Administrativo (Caff) com atendentes e computadores para o envio dos pedidos de informação. O órgão público terá até 20 dias, prorrogáveis por mais 10, para fornecer a resposta.
De acordo com a Subchefe de Ética, Controle Público e Transparência, Juliana Foernges, que coordena a implantação da Lei no Executivo Estadual, o RS está inovando ao disponibilizar algumas informações em formato aberto: "Qualquer pessoa, livremente, poderá utilizar, cruzar e compartilhar os dados abertos, o que possibilita uma livre e própria interpretação das informações e dos números do Estado" explica.
Em atendimento à Lei Federal, o conteúdo do site será disponibilizado, também, através de aplicativos auditivos, bem como por dispositivos para aumentar e diminuir o tamanho da fonte, facilitando o acesso a deficientes visuais.
Entre as informações que poderão ser acessadas via site, estão as licitações e os contratos firmados pelo Estado, os projetos monitorados pelo Governo (acompanhando os trabalhos da Sala de Gestão) e as informações relativas aos cargos e vencimentos dos servidores públicos estaduais.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

10 anos sem Lutzemberguer

Há 10 anos faleceu José Lutzemberguer, grande ambientalista brasileiro, reconhecido internacionalmente. No Rio Grande do Sul, sua terra natal, existe hoje o Prêmio José Lutzenberguer, na Assembleia Legislativa, que reconhece as melhores iniciativas ecológicas e sustentáveis. A Lei que criou o prêmio de valorização às posturas ambientalmente ecológicas, de autoria de Luis Fernando Schmidt, não poderia ter outro nome senão “Prêmio José Lutzaemberger”. A história de vida deste ambientalista explica todos os motivos que são valorizados e destacados àqueles que recebem a distinção

Veja mais sobre quem foi José Antônio Lutzenberger

José Antônio Lutzenberger (Porto Alegre, 17 de dezembro de 1926 — Porto Alegre, 14 de maio de 2002) foi um agrônomo e ecologista brasileiro que participou ativamente na luta pela conservação e preservação ambiental. Na obra "Fim do Futuro: Manifesto Ecológico Brasileiro", que lançou em 1980, já previa o problema do aquecimento global (hoje um consenso científico, mas na época um assunto desconhecido da população), alertando por exemplo que "a Amazônia não é o pulmão do planeta, é o ar condicionado do planeta". Por sua representatividade como liderança social, foi convidado e tomou posse como secretário-especial do Meio Ambiente da Presidência da República de 1990 a 1992, quando se demitiu do cargo, desiludido com a burocracia e os jogos de poder e disputa de interesses em Brasília.

Biografia

Era filho do artista plástico, arquiteto e professor teuto-brasileiro Joseph Franz Seraph Lutzenberger.

Formado em Agronomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Lutzenberger trabalhou durante muito tempo para empresas que produzem adubos químicos, no Brasil e no exterior. Em 1971, depois de treze anos como executivo da Basf, abandonou a carreira para denunciar o uso indiscriminado de agrotóxicos nas lavouras do Rio Grande do Sul. A partir de então se dedicou à natureza e defendeu o desenvolvimento sustentável na agricultura e o uso dos recursos renováveis, alertando para os perigos do modelo de globalização em vigor.

Participou de mais de oitenta encontros nacionais e mais de quarenta internacionais. Entre os quarenta prêmios que recebeu está o The Right Livelihood Award (Nobel Alternativo), 25 distinções e inúmeras homenagens especiais.

Participou da fundação da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN) - uma das entidades ambientalistas mais antigas do país - e criou a Fundação Gaia. Lutz, como era conhecido, escreveu diversos livros, dos quais um dos mais notáveis é Fim do futuro? - Manifesto Ecológico Brasileiro, de 1976. Coordenou também os estudos ecológicos do Plano Diretor do Delta do Jacuí (RS), tendo papel importante na implantação do Parque Municipal do Lami, em Porto Alegre, (que hoje leva seu nome), e do Parque Estadual da Guarita, em Torres, entre outras atividades.

Em março de 1990, foi nomeado secretário-especial do Meio Ambiente da Presidência da República, em Brasília, durante o governo de Fernando Collor de Mello, onde permaneceu até 1992. Nesse período, teve papel decisivo na demarcação das terras indígenas, em especial a dos índios Yanomami, em Roraima, na decisão do Brasil de abandonar a bomba atômica, na assinatura do Tratado da Antártida, na Convenção das Baleias e na participação das conferências preparatórias da Conferência Mundial do Ambiente, a Rio-92.

Lutzenberger faleceu em 2002, com 75 anos. Ele foi sepultado do jeito que desejou, nu, envolto em um lençol de linho, sem caixão, ou seja, sem deixar impactos ao ambiente, de forma coerente com sua vida. Seu sepulcro está próximo a uma árvore, em um bosque do Rincão Gaia, em Pantano Grande.

Fundação GaiaLocalizada em Pantano Grande (RS), a fundação atua na área de educação ambiental e na promoção de tecnologias socialmente compatíveis, tais como a agricultura regenerativa (ecológica), manejo sustentável dos recursos naturais, medicina natural, produção descentralizada de energia e saneamento alternativo.

A sede rural leva o nome de Rincão Gaia, área de 30 hectares situada sobre uma antiga jazida de basalto, e que se tornou exemplo de recuperação de áreas degradadas. O lugar é habitado por diversas espécies silvestres, como a jaçanã, o martim-pescador, o ratão-do-banhado, a lontra, a coruja-das-torres, e outras espécies animais. Além disso, lá funciona o centro de educação ambiental e de divulgação da agricultura regenerativa.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

“Diário de um combatente” de Che Guevara chega ao Brasil

Esse deve integrar a semana Che que organizamos anualmente em Esteio. Já foram duas edições trabalhadas na parceria do Gabiente do Vereador Leo Dahmer, do Gabinete do Deputado Estadual Luis Fernando Schmidt e da Associação Cultural José Marti. O Blog Aldeia Gaulesa traz a informação do lançamento do livro no Brasil, que traz impressões inéditas escritas por Che Guevara entre os anos de 1956 e 1958. A obra foi publicada pela primeira vez em 2011, na Espanha, o diário de Che abrange os fatos desde a chegada do iate Granma, em 2 de dezembro de 1956, a Cuba até a vitória da revolução, em 1 de janeiro de 1959.

Inédito, recheado de fotos do arquivo pessoal de Che e cartas nunca antes publicadas – incluindo a correspondência entre ele e Fidel Castro -, o livro compila anotações ao longo de doze cadernos de notas, durante três anos, até poucos dias antes da revolução em Cuba, em 1958.

O livro foi preparado pelo Centro de Estudos Che Guevara. A pesquisadora María del Carmen Ariet explicou que Guevara foi um forte crítico dos países do bloco soviético, conforme o refletido no livro "Apuntes Críticos a la economía política", publicado em 2006.





Serviço:

“Diário de um combatente”

336 pp.

R$ 44,90

Editora Planeta

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A mídia está na berlinda


Charles Scholl

Consultor de Comunicação Social

A crise da vez em nossa República, desencadeada pelas curiosas relações do Senador Demóstenes Torres com conhecidos contraventores, aponta indícios da relação de grupos criminosos que promovem sistematicamente escândalos nacionais com fatos e fontes duvidosas. A prática tem por objetivo combater adversários em disputas empresariais e políticas. No epicentro do motor de geração da instabilidade os meliantes se utilizam da Revista Veja, que foi reduzida a um folhetim político partidário. Nesse meio, o contraventor Carlinhos Cachoeira se constituiu como o maior pauteiro da referida publicação da Editora Abril, sempre com o objetivo de eliminar a concorrência para obter mais lucro para seus empreendimentos e promover políticos que se comportam como empregados representado os interesses corporativos da iniciativa privada no cerne do Poder Republicano representado no Congresso Nacional.

Mídia e poder

O assunto do poder concentrado da mídia passa a ter dimensões importantes quando nos damos conta de que falamos e compreendemos a realidade a partir de mecanismos informativos, que nos dão a noção do que acontece em nossa cidade, de veículos que falam como pensam os gaúchos, como agem os brasileiros e os demais acontecimentos no mundo. A frase parece inócua, óbvia e desprovida de qualquer elemento retórico surpreendente. Porém, essa obviedade citada acima expõe uma fragilidade que se torna especialmente perigosa se somada a falta de senso crítico sobre as publicações. Ocorre que grande parte do que falamos no cotidiano são assuntos em que não tivemos uma relação direta com o fato ocorrido que estamos comentando. Isso é o mesmo que dizer que nossas conversas são pautadas pelos veículos de comunicação, como jornais, rádio, televisão e, mais recentemente, a internet.

Em um sistema político e econômico dito democrático, cidadãos sistematicamente são chamados para manifestar sua opinião acerca dos assuntos de interesse público, assim como decidem sobre o que consomem pelas ofertas que brotam em todos os lados. Com isso, podemos compreender que a opinião pública tem grande força e os veículos de comunicação possuem uma relação direta com a opinião pública pela difusão de informação em larga escala. Grosseiramente temos nesta breve explanação uma síntese do poder da mídia.

Opinião Pública & interesse privado

No epicentro da crise do momento está o meliante contraventor Carlinhos Cachoeira e seus asseclas, entre eles um senador que quase virou ministro do Supremo Tribunal Federal. Os principais fatos acerca do episódio em torno do Senador Demóstenes Torres Ex-Democrata  estão recebendo ampla cobertura por parte da imprensa nacional, porém a relação escandalosa que envolve a Revista Veja como um instrumento ao serviço dos grupos criminoso, tem sido ignorada pela Rede Globo e pelos veículos de maior tiragem no País. O assunto só foi importante na Rede Record, que neste caso demonstra não ter comprometimentos com a linha política adotada pela Editora Abril.

O caso está sendo muito bem abordado pela revista Carta Capital, lançada 9 de maio, que denuncia o movimento de Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres contra a cúpula do PT personificada no ex-ministro José Dirceu. A reportagem descreve como as denúncias sem sustentação serviam para acuar os adversários de um esquema criminoso, desde a invasão ao hotel Naum, que tinha por objetivo plantar um escândalo nacional, até a campanha para levar Demóstenes Torres ao Supremo Tribunal Federal. Não se trata de questões do passado, mas de práticas muito atuais que tem objetivos nefastos de eliminar concorrências, tal como ocorreu em 4 de junho do ano passado, quando Cachoeira recomenda a Claudio Abreu, diretor da Delta no Centro-Oeste, para passar informações à revista Veja sobre a licitação da BR-280 e sobre uma reunião que teria havido em Curitiba. Textualmente Abreu desponta o desafio de como derrubar a concorrência para se beneficiar de 25% do negócio da obra. Não se sabe ao certo o alcance da prática nefasta, porém a Delta é a empresa que mais ganhou licitações para execução de obras do PAC.

Espantoso e comum na nossa história

A questão “mídia e poder” é um tema argiloso para ser tratado no Brasil, mesmo depois do reestabelecimento da democracia. Estudei o assunto ao lado do Professor e pesquisador Antônio Fausto Neto. Após muita prática do exercício da pesquisa, o trabalho de análise dos conteúdos midiáticos nos lembra uma psicanálise social. Para isso, é fundamental a atuação de profissionais do meio que façam análises críticas e a defesa da liberdade de expressão e da ética no exercício do jornalismo. Essa análise psicanalítica da sociedade qualifica a opinião pública e contribui para a compreensão de que a liberdade de expressão e a ética no jornalismo são referências para medir a saúde democrática de uma nação. A democratização da comunicação é um movimento político que pressiona o aprofundamento e a maturação dos processos democráticos do País. A revista Carta Capital sita o ObjETHOS – Observatório de ética Jornalística, entidade criada pelo Professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Rogério Christofoletti, que relata a dificuldade de manter limites na relação entre o jornalista e a fonte e afirma que o trabalho passa a adentrar em um terreno perigoso no momento em que compromete a credibilidade do relato.

Democratização ou centralização?

As últimas duas, das nove páginas da reportagem foi dedicada a reproduzir um texto de David Puttnam, um Lorde do Partido Trabalhista que presidiu a Comissão Conjunta de Análise Parlamentar para Lei de Comunicações de 2003, que fala do autocrata Rupert Murdoch e seu filho que mantém as estratégias de sua família. A comparação do caso tupiniquim com os Lordes se dá pela concentração de poder como um caso comum e que está sendo enfrentado em todo o mundo como algo ruim à sociedade. No Brasil, diria que Daniel Herz trouxe ao meio acadêmico e popularizou a crítica da mídia como uma qualidade, principalmente com a edição de sua obra “A história secreta da Rede Globo”, que rendeu o documentário “Muito além do Cidadão Kane”, de Simom Hartog. Com a morte do diretor o documentário ficou nas mãos do produtor John Ellis, que em 2009 vendeu seus direitos autorais para a emissora do Bispo Edir Macedo, a Rede Record, por US$ 20 mil, numa estratégia de atacar a Rede Globo. Em seu livro, Herz traz à superfície em seus agradecimentos outras autoridades do assunto, como Adelmo Genro Filho, Tau Golin entre outros professores universitários que se destacaram com suas análises críticas. Hoje, penso que a principal referência no movimento pela democratização da comunicação é o professor Pedro Osório, que atualmente dirige a Fundação Piratini. Em sua atuação frente a fundação destaca-se a aquisição de 16 retransmissoras que estão sendo instaladas no Rio Grande do Sul, ofertando alternativa da TVE para 3,8 milhões de pessoas em solo gaúcho. Mas compreendo que ainda estamos distantes de dar a devida importância à pulverização de veículos de comunicação, em contraponto as políticas de centralização de poder, que não contribuem para a real emancipação cultural das pessoas, elemento fundamental da cidadania.