quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Repasses a hospitais quadruplicam no governo Tarso e beiram os R$ 2 bilhões


O governador Tarso Genro, candidato à reeleição pela Unidade Popular Pelo Rio Grande (PT, PTB, PCdoB, PPL, PTC, PR, PROS), participou nesta segunda-feira de encontro na sede da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

Tarso Genro comparou os repasses de seu governo com os realizados pela gestão anterior, cujos representantes estão disputando vagas no próximo pleito. A diferença entre os dados é nítida e ilustra com clareza a diferença de projetos que se apresentam nesta eleição. "A nossa divergência não é sobre o diagnóstico, mas sim, sobre como enfrentar as dificuldades financeiras estruturais do Estado", explicou.

Entre 2007 e 2010, os hospitais receberam R$ 417 milhões do governo do Estado, enquanto que, do início de seu mandato até julho deste ano, as verbas alcançaram quase R$ 2 bilhões – a metade deste valor, destinada a santas casas e hospitais filantrópicos.
Em 2010, o governo Tarso repassou R$ 148 milhões aos hospitais; em 2011, R$ 241 milhões; em 2012, a soma chegou a R$ 391 milhões enquanto que no ano passado foram R$ 642 milhões. Ao final de 2014 a cifra será ainda mais alta que nos anos anteriores, pois contando apenas o que havia sido remetido às instituições até julho deste ano, já se atinge um valor de R$ 633 milhões.

O presidente da Federação das Santas Casas, Julio Dornelles de Matos, destacou resultados da atual gestão durante sua fala de apresentação do governador. Além da criação de uma rubrica orçamentária para o setor, dos recursos emergenciais liberados e de investimentos em infraestrutura e equipamentos, Matos elogiou a aplicação, pela primeira vez na história do rio Grande do Sul, de 12% da receita líquida em saúde.

Tarso lembrou que essa ação só foi possível a partir da recuperação das funções públicas do Estado promovida pela atual gestão. Ele defendeu os financiamentos das agências nacionais e internacionais e os saques dos depósitos judiciais dentro da legislação para custear o Estado.
"Vamos usar os nossos recursos para financiar as políticas públicas essenciais, em saúde, educação e segurança, e garantir que o Rio Grande do Sul continue crescendo o dobro do Brasil para contornar as dificuldades com desenvolvimento e inclusão", afirmou Tarso.
O governador garantiu também que o Estado vai trabalhar para garantir um crescimento econômico de 4,5% em 2015.

As Santas Casas e hospitais filantrópicos são responsáveis por 72% da capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado. São 259 unidades hospitalares sem fins lucrativos que empregam 65 mil trabalhadores e recebem 540 mil internações por ano. Em 197 municípios, a Santa Casa é a única unidade hospitalar para atender a população.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Dia Internacional da Juventude

Há 15 anos era criado o Dia Internacional da Juventude, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como estímulo para os países desenvo
lverem políticas públicas dirigidas a estes cidadãos.

Representantes de organizações de jovens avaliam que durante esse período, o Rio Grande do Sul promoveu avanços – concentrados nos governos de Olívio Dutra (1999 a 2002) e Tarso Genro, desde 2011, hoje candidatos da Unidade Popular pelo Rio Grande (PT, PCdoB, PTB, PR, PPL, PTC, PROS).

“Um projeto transformador deve levar em conta a complexidade da existência humana. Só assim que se pode compreender o lugar especial que assume a juventude na luta por autonomia e emancipação. Por isso a minha convicção de que somente com a Unidade Popular teremos a defesa e as concretizações das politicas públicas de juventude”, defende o coordenador da Juventude do PT, Carlos Augusto Portela.

Atualmente, o Rio Grande do Sul tem mais de 2,6 milhões de jovens com idades entre 15 e 29 anos. Entre as conquistas desse segmento da população no atual governo, estão a criação do Conselho de Juventude do Rio Grande do Sul, o Conjuve/RS, em 2013, e do Fórum de Entidades da Juventude do Rio Grande do Sul (Feju) – composto por 137 organizações vinculadas a partidos, sindicatos do campo e da cidade, movimentos sociais, culturais, esportivos, artísticos, de diversidade religiosa, sexual e de igualdade racial. “Conquistamos ainda o Pacto Gaúcho Pela Educação e o Passe Livre Estudantil. Isso só foi possível através do diálogo e da convicção do papel fundamental dos jovens para o desenvolvimento do estado”, considera o vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) no Rio Grande do Sul, Álvaro Lotterman.

Vale lembrar que entre 2006 e 2010 o Rio Grande do Sul viveu momentos duros no relacionamento do governo e diferentes segmentos sociais, entre eles a juventude. Diversas entidades estudantis realizaram atos sistemáticos pedindo o afastamento da gestão estadual da época e muitas eram as queixas de cortes na Educação e autarquias públicas. Na avaliação do coordenador da Juventude do PT, Augusto Portela, o atual momento é diferenciado para os jovens gaúchos.

Diálogo com manifestantes das jornadas de junho
Um dos pontos mais altos da relação de diálogo entre os jovens e o Estado ocorreu, sem dúvida, em junho de 2013, quando ocorreram as manifestações que tomaram conta das ruas do Brasil.
O Rio Grande do Sul, onde o movimento se originou, foi justamente o primeiro estado a ter uma lei para atender uma das principais demandas das ruas, o passe-livre. Após uma série de encontros com o governador Tarso Genro foi criada a lei que beneficia atualmente 138 mil jovens em 365 cidades gaúchas.
Para a estudante Marina Lehman, que esteve nas manifestações, a medida foi uma resposta rápida do governo em resposta à juventude que foi às ruas. “Pedimos mais assistência e mobilidade urbana. Essa abertura para o diálogo entre o governo e a população jovem do Estado mostrou o compromisso do governo Tarso em fazer políticas públicas para sua juventude”, afirma.

Permanência no campo é uma conquista da juventude rural
Para a família de pequenos agricultores do assentamento Pão da Terra, houve muito incentivo ao longo dos últimos três anos e meio para os jovens permanecerem no campo. “Há financiamentos, bolsas de estudo, incentivo a qualificação profissional voltada ao meio rural. Isso tudo ajuda a mantermos os jovens na lavoura. Em outros momentos, era difícil. Não tínhamos nada para combater o êxodo rural”, recorda o agricultor José Matias.
O filho Gabriel Matias, com 15 anos, já trabalha na lavoura da família, em Eldorado do Sul. Ele estranha a vida na cidade quando acompanha os pais nas feiras de Porto Alegre e conta que já sonha com a faculdade de Agronomia. “Eu não gosto de barulho. E, sei da importância de ajudar minha família. Eu queria que mais jovens ficassem no campo”, fala.

Recuperação da Uergs abre novas oportunidades de formação
A Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), criada por Olívio Dutra e que não mereceu atenção das gestões subsequentes, voltou a ser prioridade durante o governo de Tarso, que determinou um orçamento 70% maior do que havia em 2010, atingindo um investimento de R$ 79 milhões na instituição. Em 2014, o desejado campus central de Porto Alegre foi aberto e houve a contratação de mais de 200 professores e 180 servidores.
O número de matrículas já é 75% superior ao do governo anterior e centenas de novos alunos contam com bolsas de apoio e manutenção da Universidade.
Além disso, mais de 1,2 mil escolas estaduais foram reformadas, 95 mil jovens foram matriculados nos cursos profissionalizantes do Pronatec e um programa específico para afastar a juventude do crime foi posto em prática. É o Programa de Oportunidades e Direitos (POD), que funciona nos Territórios de Paz da Lomba do Pinheiro e Vila Cruzeiro, ambos em Porto Alegre. Nestes centros são desenvolvidas atividades e cursos, como oficinas na área artística e cultural, bem como ações que promovem a igualdade de oportunidades.

Propostas para o futuro
A continuidade do governo da Unidade Popular pelo Rio Grande representa manter as ações de inclusão social de jovens e ampliar os serviços voltados à juventude. No programa de governo do próximo mandato está a manutenção do projeto de fortalecimento da Uergs, a ampliação do Passe Livre Estudantil e a criação de projetos para que mais jovens acessem vagas de emprego e ensino profissionalizante. Entre eles, o Microcrédito Jovem Inovador, que cria linhas de crédito voltadas a jovens entre 18 e 30 anos que tenham ideias inovadoras.
Além disso, o segundo mandato de Tarso Genro oportunizará a criação do Promédio, programa de bolsas para manutenção de jovens de baixa renda no Ensino Médio.  Com a aprovação de US$ 50 milhões de empréstimo pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) neste mandato o governo está projetando também construir mais seis Centros POD Juventude.

Fotos:
Guilherme Santos/UPPRS

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Pont defende retomada do controle público sobre transporte coletivo na capital gaúcha

 Ao comentar o processo licitatório do transporte coletivo de Porto Alegre, na sessão plenária  desta quinta-feira (05), o deputado Raul Pont defendeu a retomada do controle público sobre o setor e lembrou que a bancada municipal do Partido dos Trabalhadores encaminhou representação no Tribunal de Contas do Estado alegando irregularidades na licitação encaminhada pela prefeitura para a contratação de empresas de ônibus.

Segundo o petista, os indícios de direcionamento da licitação são flagrantes e restringem o caráter competitivo do certame. A ação, de acordo com Pont, também questiona a impossibilidade de licitar as regiões juntamente com o novo sistema chamado de Transporte Rápido de Ônibus (BRTs), sem que as garantias prévias contratuais estivessem claras e estabelecidas no contrato. Outro questionamento refere-se à falta de previsão legal e orçamentária para a criação de subsídio público e o descumprimento da decisão do Tribunal de Contas do Estado, que determinou a suspensão do processo nesta terça-feira (03).

Pont disse que a licitação vem sendo protelada pela ação das empresas de ônibus e defendeu que a Prefeitura atenda a reivindicação, expressa nas jornadas de junho de 2013,  para que o transporte coletivo da capital gaúcha volte a ser público e não concedido à empresa privada. "Para o planejamento mais racional do transporte, para retirar a taxa de lucros da tarifa, para que a caixa de compensação da tarifa social volte ao controle público, nada mais urgente que nesse impasse de concessionárias sem licitação, a Prefeitura torne a Carris na empresa básica do transporte público nos corredores e nas linhas transversais que já opera", salientou Pont.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O que podemos dizer hoje sobre as reformas de base de Jango....

O Brasil vive um momento de profundas mudanças sociais, políticas e econômicas nos últimos 10 anos. Passados 50 anos do golpe militar de 31 de março, de 1964, a jovem democracia brasileira apresenta seus sinais de maturidade e disposição de recontar sua história. A abordagem simbólica de como é lembrada a data do Golpe Militar ganha força com os resultados econômicos e sociais consequentes de uma política nacional que havia sido abruptamente interrompida com o golpe militar. 
As palavras ditas pelo presidente João Goulart, no dia 13 de março de 1964, em comício na Central do Brasil no Rio de Janeiro, que reuniu cerca de 200 mil pessoas, voltam a ecoar no cenário nacional com os resultados do governo democrático de Dilma Rousseff.

Jango => “A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia antipovo, do antissindicato, da antirreforma, ou seja, aquela que melhor atende aos interesses dos grupos a que eles servem ou representam. A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobras; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício.”
Após um longo período de entreguismo, protagonizado pelos governos militares geradores de uma impagável dívida externa, a sociedade civil, representada pelo operário, sindicalista, Luiz Inácio Lula da Silva, que foi conduzido pelo povo brasileiro à Presidência da República, retoma um projeto verdadeiramente nacional e voltado ao povo brasileiro. Em seu governo foi desarticulada a nova investida imperialista que se concretizava em torno da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), saldou a dívida externa brasileira e tornou o País uma unidade federativa capaz de articular novos blocos econômicos no mundo, a exemplo do Brics (bloco econômico articulado pelo Brasil com a Rússia, Índia, China e África do Sul). Fortaleceu a Petrobras, que estava prestes a ser privatizada pelo Governo de Fernando Henrique Cardoso e transformou a estatal em uma das maiores empresas petrolíferas do mundo. Nesse processo, desencadeou a indústria naval que mudou o panorama econômico e social de regiões historicamente fragilizadas, a exemplo da metade sul, no extremo sul do País.

Jango =>“Não há ameaça mais séria à democracia do que desconhecer os direitos do povo; não há ameaça mais séria à democracia do que tentar estrangular a voz do povo e de seus legítimos líderes, fazendo calar as suas mais sentidas reinvindicações. Estaríamos, sim, ameaçando o regime se nos mostrássemos surdos aos reclamos da Nação, que de norte a sul, de leste a oeste levanta o seu grande clamor pelas reformas de estrutura, sobretudo pela reforma agrária, que será como complemento da abolição do cativeiro para dezenas de milhões de brasileiros que vegetam no interior, em revoltantes condições de miséria.”

A reforma agrária, embora ainda seja um desafio para ser superado no Brasil, ganhou espaço ministerial junto ao Governo Federal e o enfrentamento à miséria se tornou slogan de governo e prioridade nacional. Os governos democráticos e populares liderados por Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff criaram e ampliaram programas de distribuição de renda, a exemplo do Bolsa-Família, programas profissionalizantes que colocaram a classe “E”, no Brasil, à beira da extinção, pela melhora da qualidade de vida da fatia mais vulnerável do tecido social. A constatação é do IPC-Marketing, de São Paulo, que em 2012 registrou que 0,8% dos lares brasileiros integravam a classe “E”. Em 1998, a classe E reunia 13% dos domicílios, indicava o estudo baseado em dados do IBGE. Além dos programas de distribuição de renda, a qualidade de vida dos brasileiros também foi afetada positivamente pela retomada histórica da valorização do salário mínimo, a partir do Governo Lula.
Jango =>“Àqueles que reclamam do Presidente de República uma palavra tranquilizadora para a Nação, o que posso dizer-lhes é que só conquistaremos a paz social pela justiça social.” –
Atualmente a frase do ex-presidente João Goulart poderia caber na síntese: “país rico é um país sem miséria”.
Jango =>“Não tiram o sono as manifestações de protesto dos gananciosos, mascarados de frases patrióticas, mas que, na realidade, traduzem suas esperanças e seus propósitos de restabelecer a impunidade para suas atividades antissociais”.
Frase que constrangeria o conteúdo do discurso racista e homofóbico, proferido no dia 29 de novembro de 2013, pelo deputado federal Luis Carlos Heinze, do PP, legenda partidária que tem sua origem na Arena (partido de sustentação da Ditadura Militar),  “...Gilberto Carvalho também é ministro da presidente Dilma. É ali que estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo que não presta, ali está alinhado. E eles têm a direção, têm o comando do Governo”.  Que demonstra claramente que o espírito bélico e antissocial que deu base à ditadura militar permanece vivo em nosso tecido social com representações políticas legítimas que defendem claramente a violência e o extermínio dos “diferentes” e “desafetos”, a exemplo do regime militar. Heinze defendeu que os produtores impeçam a reforma agrária com seguranças particulares, a exemplo do que está sendo feito no Pará.
Jango =>“Vamos continuar lutando pela construção de novas usinas, pela abertura de novas estradas, pela implantação de mais fábricas, por novas escolas, por mais hospitais para o nosso povo sofredor; mas sabemos que nada disso terá sentido se o homem não for assegurado o direito sagrado ao trabalho e uma justa participação nos frutos deste desenvolvimento.”  O Brasil, no governo Lula e Dilma, conquistou o pleno emprego em patamares que invejam os gestores da comunidade europeia. Em janeiro deste ano o Brasil registrou o índice de 4,3% de desemprego, o menor da história do País. Com determinação na qualificação dos trabalhadores o Governo Federal, por meio do Pronatec, atingiu 5,7 milhões de matrículas em cursos de qualificação profissional e técnicos até fevereiro deste ano. Desses, segundo a presidenta Dilma Rousseff, 60% são jovens com idades entre 17 e 29 anos, atingindo 4260 municípios do território nacional.


Jango =>“Hoje, com o alto testemunho da Nação e com a solidariedade do povo, reunido na praça que só ao povo pertence, o governo, que é também o povo e que também só ao povo pertence, reafirma os seus propósitos inabaláveis de lutar com todas as suas forças pela reforma da sociedade brasileira. Não apenas pela reforma agrária, mas pela reforma tributária, pela reforma eleitoral ampla, pelo voto do analfabeto, pela elegibilidade de todos os brasileiros, pela pureza da vida democrática, pela emancipação econômica, pela justiça social e pelo progresso do Brasil”. No dia 31 de março, o discurso do Presidente Jango foi interrompido pelo Golpe Militar. 

Estas reflexões foram feitas com o Jornalista, escritor e editor Esteban Rey Fontan 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Fórum Social: a que será que se destina…

Por Mauri Cruz 
Antes de retrucar reconheço que é quase impossível alguém vir a Porto Alegre participar do Fórum Social e não estabelecer uma comparação com as edições do Fórum Social Mundial de 2001 a 2005. Atividades massivas com intelectuais de renome internacional, na sua maioria europeus, dissertando contra o neoliberalismo, pensamento único da época. Dava-se recados diretos ao Fórum Econômico de Davos. Eram a cidade da resistência, quase que única barricada à se erguer contra o sistema financeiro internacional ousando defender a ideia de que um outro mundo era possível.
Que um participante do Fórum Social ou mesmo a mídia conservadora tenha esta nostalgia não é tão estranho. Me preocuparia se os dirigentes das organizações e movimentos sociais tivessem essa compreensão. Felizmente, pela ampla adesão dos mais variados tipos de movimentos nacionais e internacionais à edição do Fórum Social Temático de Porto Alegre qualquer alusão de seu esvaziamento é equivocada.
Ouso dizer que nesta edição estamos conseguindo rearticular de forma efetiva as principais redes e organizações sociais brasileira que estiveram no inicio do processo do Fórum Social e, de lambuja, agregando redes e movimentos internacionais que tem tido um papel efetivo na internacionalização das agendas e metodologias do FSM em todos os continentes. Haverá mais de 37 eventos ligados ao Fórum Social no ano de 2014 em todo o planeta, discutindo agendas de interesse social e agregando lutadores de todas as matizes políticas.
Em Porto Alegre, desde a retomada em 2010, não nos propomos a reunir quantidade e sim qualidade. Mais que isso, não nos propomos a convidar pessoas apenas para falar a um grande público, mas reunir militantes sociais das várias redes e experiências a fim de trocar experiências e impressões sobre as alterações da conjuntura mundial e o papel dos movimentos e organizações sociais.
E é a alteração da conjuntura mundial que exige que haja uma outra dinâmica política nos processo do Fórum Social Mundial. O mundo de 2014 guarda pouca semelhança com o mundo de 2001. Apenas para ilustrar pego emprestada a fala de Bernard Cassen na mesa de ontem promovida pela Abong sobre a crise capitalista quando dizia que em 2001 as ideias e propostas do FSM era somente isso, ideias e propostas. Não havia sequer um governo que tivesse experimentado sua eficácia. Hoje, há várias experiências não só na América Latina, mas na África e Europa que implantam as propostas por nós defendidas em várias áreas, seja da economia popular, dos direitos sociais ou mesmo da participação popular. Defender estas políticas públicas e avaliar sua eficácia é tarefa e responsabilidade da militâncias organizada dentro do Fórum Social. Aqui reside mesmo uma questão chave, dando sequência a fala de Cassen, que é a relação dos processo do Fórum Social com as dinâmicas de poder, seja nacional em relação aos governos, seja internacional em relação aos espaços multilaterais de governança global.
Isso não significa, na minha opinião, que o Fórum Social deva se colocar numa perspectiva de poder, e sim seguir trabalhando na consolidação das conquistas e no aprofundamento das mudanças. Não é menor o papel de protagonismo que as organizações do processo fórum tem nas lutas no norte da África, ou na luta internacional dos direitos das mulheres, ou mesmo no debate da mídia livre e democrática.
Antes de finalizar gostaria de afirmar que reunir milhares de militantes sociais representando centenas de redes de movimentos e organizações de mais de 60 países para debater a crise capitalista, os limites da democracia representativa e as questões da justiça social e ambiental não é uma iniciativa menor. Milhares sim, porque se tivermos uma média de 30 pessoas somente nas 270 atividades inscritas oficialmente isso representa mais de 8 mil participantes. E ainda há outra novidade que é a participação através das redes sociais nas discussões durante o próprio Fórum. A interatividade expande a participação de forma geométrica. Somente no site oficial foram mais de 17 mil visitas e interações, sem contar com igual ou maior interatividades nas redes ligadas ao Fórum Mundial de Mídia Libre, o Fórum Mundial de Educação, na rede WSFTV, no hotsite da Tenda Hip-Hop Brasil, nos debates virtuais do Espaço Ubuntu, os diálogos da economia solidária e o Conexões Globais. A importância do Fórum Social Temático deve ser medida pela realização de momentos de diálogos entre os vários movimentos nacionais e internacionais, do diálogo entre lideranças históricas das organizações sociais brasileiras com as novas lideranças dos movimentos que desabrocharam desde 2010 tanto no Brasil como em outras partes do mundo e a costura de uma agenda comum para o próximo período histórico.
Não tenho dúvida que o Fórum Social continua se reinventando e cumprindo seu papel. E Porto Alegre se mantém sendo um dos territórios políticos onde este papel se desenvolve de forma democrática, plural e multicultural. Muitas coisas precisam ser aprimoradas nas dinâmicas de organização, na gestão da infraestrutura, na democratização dos espaços e na sistematização dos acúmulos. Aliás, sobre esta questão, Porto Alegre também será uma das sedes do Projeto Memória Viva do Fórum Social Mundial. Por tudo isso, discutir o tamanho do Fórum Social Temático é fugir da discussão essencial que é o debate sobre o seu conteúdo político e a representatividade da militância presente. Como diz Boaventura há movimentos que são representativos e legítimos não por sua quantidade, mas pelas causas que defendem. Com certeza o Fórum Social é um destes movimentos.

Mauri Cruz é advogado socioambiental, especialistas em direitos humanos, dirigente nacional da ABONG – Associação Brasileira de ONGS e membro do Comitê de Apoio Local ao FSM.
fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/forum-social-que-sera-que-se-destina/

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Granpal promove debate sobre democratização da comunicação

A Prefeitura de Alvorada participou, na tarde desta quarta-feira (22), do debate sobre democratização da comunicação promovido pela Associação dos Municípios da Grande Porto Alegre (Granpal), na sede da entidade, na Capital. A atividade faz parte do Ciclo Humanidades 20124, que promove debates sobre políticas públicas entre os municípios que integram a entidade. Esta edição do Ciclo Humanidades foi promovida especialmente para o Fórum Social Temático, que está sendo realizado de 21 a 26 de janeiro, em Porto Alegre. A atividade teve como painelistas o Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas Celso Schröder e o Presidente da Fundação Piratini, Pedro Osório.
O Jornalista Celso Schröder apresentou uma síntese histórica sobre a comunicação no Brasil e as motivações do movimento pela democratização da comunicação. Discorreu sobre os descompassos que o Brasil teve no segmento da comunicação social desde a abertura democrática. Sob os preceitos republicanos apontou um déficit importante que o Brasil vive atualmente no processo de democratização de comunicação e qualificou o debate sobre comunicação uma necessidade estratégica que necessita de políticas públicas. Nesse sentido, sugeriu a criação de oportunidades para debater a comunicação a exemplo do espaço gerado pela Granpal. Em sua apresentação, Celso citou Daniel Herz e seu trabalho pela democratização da comunicação no Brasil. Atualmente, Celso ocupa a cadeira de Herz, que faleceu em 2006, no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional.
As TVs Educativas e a importância estratégica para uma comunicação mais democrática e permeada pelo controle público foi o tema que permaneceu no centro da apresentação do jornalista Pedro Osório. O presidente da Fundação Piratini destacou que esse debate não polariza o público e o privado, mas propõe um equilíbrio saudável às relações sociais.

Ambos debatedores defenderam o controle público para que seja possível um ambiente democrático nos meios de comunicação. Tal controle se daria por diversos mecanismos, entre eles os conselhos de comunicação e a promoção de debates para amadurecer a ideia de democracia na comunicação, que ainda é um sonho para a república brasileira.  

Radiações do Fórum Social Mundial geram o Fórum Mundial da Educação em Canoas e o Fórum Social Temático em Porto Alegre

Por Charles Scholl


Na terça-feira (21) eu tive o privilégio de poder participar do Fórum Mundial da Educação – Pedagogia, Região Metropolitana e Periferias, que acontece em Canoas. É uma das atividades do Fórum Social Temático – Crise Capitalista, Democracia, Justiça Social e Ambiental que, por sua vez, se desdobra em Porto Alegre. O FST tem enfoque político e ambiental, com uma pauta tão ampla quanto o conceito que podemos atribuir à política. O FME é focado no debate sobre os preceitos pedagógicos, que tornou Canoas a 'meca' da educação ao tempo que referenda Paulo Freire a principal autoridade intelectual, que estabelece um espaço de intersecção entre tantas culturas humanas de todos os continentes.
É fundamental demarcar, desde já, a influência que o Professor Serginho, prefeito de Alvorada, tem tido sobre tudo em minha vida. Em um primeiro momento, poderiam dizer que pelo fato de estar liderando a comunicação naquela cidade, a relação deveria ser automática. Pois bem, vamos às verdades. Essa automaticidade geralmente proposta no senso comum é um grave equívoco. Uma grande farsa imposta pela ignorância, pela superficialidade de quem quer gerar conteúdos políticos sem ter qualquer conteúdo. Minha relação com o prefeito parte de mim, sequer sei se é compartilhada, mas se sustenta pelas ações desse ente público em cada passo do seu dia. Não o conhecia, porém ao tempo que tive a oportunidade de me aproximar deste líder popular, me deparei com uma das pessoas mais importantes da minha vida. O Professor Serginho sobrevive em um meio político que necessita de reformas para que se torne justo, porém consegue nessa atmosfera poluída decantar o ar mais puro daquilo que sempre me inspirou na política. 




Assim eu caí no Fórum Mundial de Educação, por opção dele. Na abertura pude registrar as autoridades federais, estaduais e municipais, de municípios de todos os continentes. Todos em um tom uníssono entoando cânticos por um outro mundo possível. Esse mundo está sendo pavimentado pelas opções políticas majoritárias dos brasileiros que elegeram Dilma Roussef presidenta do Brasil, como reafirmação das políticas públicas implementadas pelo presidente Lula, e pela escolha do governador Tarso Genro, aqui pelos pampas.
Percebemos logo quando alguém escreve sem ter o que dizer. Percebemos também alguém que tem o que dizer, mas tem dificuldades em escrever. Digo que faço esse discernimento pela história da minha própria jornada, em que um período da minha vida tive dificuldades muito acentuadas em expressar meus sentimentos por limites culturais que saltavam aos olhos. Toda vez que encontro alguém nessa situação, me solidarizo automaticamente, independentemente se essa pessoa defende uma ideia contrária àquela que defendo. Percebi que não dou tanta ênfase assim às convicções que defendo, ao perceber claramente que quando estamos convictos nos afastamos da criatividade, das impossibilidades que são superadas pelos humanos. Prefiro, por opção, viver no terreno do desconforto em que todas as ideias são postas à prova ao limite de sua destruição. Uma vez que tenhamos compreendido que tal ideia já não resiste a esse teste não temos motivos para mantê-la viva em nossos pensamentos. 


Assim sigo despido aos debates propostos no Fórum Mundial de Educação. Nesse primeiro dia me deparei com um grupo de ativistas pela educação pública de qualidade, da Espanha. “Crida por Uma Educaciòn Pública de Qualitat”, ecoa palavras de ordem que encontram grande consonância com a realidade Brasileira. Ao fundo temos o registro de grandes amigos, Alexandre Virgílio, doutor em educação que me inspirou a paixão pela cidade de Alvorada e o intelectual de esquerda Eduardo Mancuso, que me abriu as portas e possibilitou a minha apresentação pessoal ao prefeito Professor Serginho. Mancuso me presenteou com sua mais nova publicação “Ensaios Marxistas”, da editora renascença. Vou devorar a obra e comentar posteriormente.