terça-feira, 25 de outubro de 2011

Agradecimento ao Zé Mauro, pelo seu ativismo


Zé Mauro é um grande parceiro da Esparta - Ação Tática e Estratégia. Trabalha em múltiplas frentes de atuação, todas relacionadas à cultura com ênfase à música, afetando famílias de diferentes regiões da cidade, que constituem significativa representação dos locais mais populosos de Esteio. Segue a manifestação pública de Zé Mauro, divulgada no Jornal Eco do Sinos, que relata o desenrolar de seu trabalho.
Vale ler o artigo,

Charles Scholl
Consultor


“ACORDES PARA VIDA”

Opa, opa! Sim eu sei, faz algum tempo que não aparecemos por aqui, nesse espaço tão precioso. E já que estivemos ausentes, aparecer assim, sem nenhum motivo, do nada, dizendo, olá gente tudo bem (?), é um tanto quanto...(sem palavras), bem (eh eh eh) o fato é, temos um bom motivo! A Silvia psicóloga e produtora cultural, eu Zé Mauro facilitador, queremos agradecer de todo o coração a todos que apóiam o Projeto de Vivências Musicais Acordes para Vida.
Tudo começou em 2006, na EST, Faculdade de Musicoterapia. Lá surgiu a idéia, enquanto acadêmico do curso, de realizar uma oficina musical baseada nos fundamentos da musicoterapia, destinada ao grande público onde toda e qualquer pessoa, com ou sem conhecimento musical, pudessem interagir entre si, vivenciando de maneira profunda e prazerosa, os benefícios que as atividades musicais transmitem, direcionadas através de técnicas com objetivos definidos, organizados. Foram realizados vários projetos pilotos, até que encontrássemos um caminho, um jeito de afinar as dinâmicas. Passamos por diversas faixas etárias de diferentes encontros, com os mais variados perfis de público. Finalmente encontramos um norte. Essa direção chegou veja só, poeticamente na melodia do nome do projeto: “Acordes para Vida”! Soubemos de imediato o que buscávamos. Acordar e ajudar a acordar, os que se permitem acordar para vida!
No meio do caminho, havia o Charles, ele não estava só. Com ele entrou em cena a Cacau. Começaram as primeiras conversas, poucas por sinal, bem daquele jeito de quem trabalha muito, mais do que fala. E por um passe de boa vontade e longas horas de neurônios pensantes, apareceu o Projeto descrito. Com tudo no papel, correu-se para o Conselho Municipal de Cultura, que acolheu o Projeto como todo Conselho deve fazer, de maneira séria e competente. Aprovado, O Fundo Municipal de Cultura municiou o“Acordes”, deixando-nos a vontade para atuar no campo de trabalho. Podemos então levar essa “nova” proposta de trabalho musical, aqui na cidade, para as Escolas Municipais Flores da Cunha, Vila Olímpica, Eva Karnal e APAE. Estivemos também na Casa de Cultura e na Associação do Parque Santo Inácio. Para cada local formaram-se grupos com até 20 pessoas, em alguns casos passou um pouquinho, de forma que ao término de 30 oficinas ofertadas, atendemos a média de 600 participantes. Quando escrevemos “participantes”, retratamos sem dúvidas, a gratificante aceitação por parte do público, que colaborou de corpo e alma. Pra se ter uma idéia a aceitação foi tanta, que a assistente social Maria Regina Santos Paz, responsável pelo grupo do Parque Santo Inácio, relatou-nos que mesmo tendo encerrado a primeira etapa do projeto, participantes do grupo estão retornando no dia e no horário das oficinas, na esperança que o projeto esteja ocorrendo.
Os ofícios emitidos pelas instituições avaliam “Acordes para Vida”, como um projeto necessário para o cotidiano por onde passou. Isso nos tranquiliza deixa-nos com o sabor da meta atingida. Sabemos que necessitamos melhorar alguns aspectos, principalmente no que se refere à estrutura orçamentária da atividade, entretanto, naturalmente o tempo e um trabalho bem feito, com qualidade, atrai os seus complementos. Apostamos fortemente na sensibilidade de pessoas que podem contribuir com a continuidade do projeto, assim como Cleiton Charutti do Grupo Charutti, que está patrocinando a segunda etapa do Projeto na Escola Municipal Flores da Cunha, até o final do ano letivo. Silvio Tassinari, da ST Contabilidade irmana-se à proposta e também lança seu apoio. Igualmente, o Conselho de Cultura aprovou mais uma etapa do “Acordes”, de forma que assim que os tramites necessários estiverem concluídos, ofertaremos mais 30 oficinas descentralizadas pela comunidade, todas com o foco da primeira etapa e inteiramente gratuitas para quem quiser experimentar.
Mas é hora de agradecer melhor! Então vamos lá! O nosso muito obrigado ao Charles do Jornal Eco dos Sinos, a Cacau Produtora Cultural, ao Rodrigo Assessor Parlamentar, ao Vereador Leo Dahmer PT – Esteio, a todas Equipes Diretivas, professores e funcionários das Instituições de Ensino por onde circula o “Acordes”, ao Conselho Municipal de Cultura – bravos voluntários, a Prefeitura Municipal, a Casa de Cultura e sua eficiente Equipe e sobre tudo ao público que comparece, participa ativamente de todas atividades propostas.
Todo esse conjunto coroa um sonho solitário que era apenas um sonho, por ser só, mas que agora é realidade. Mostra que aqui no município as coisas estão acontecendo sim. Melhor, amparadas pelo apoio de pessoas que representam os órgãos municipais. A Iniciativa privada que muito contribui, integra-se cada vez mais. É um novo tempo, presente, agora.
Existe ainda um longo e belo caminho a ser trilhado. Estamos cientes e felizes, pois sabemos que não estamos solitários nessa caminhada. Muito há o que fazer pela arte em nossa comunidade, pela vida e por outra pessoa, aquela que você enxerga por onde passa. A arte é o alimento da alma, assim como comida, água e ar, o são para o corpo. E como diz Beto Guedes: “Quem sonhou, só vale se já sonhou de mais, vertente de muitas gerações, gravado em nossos corações, um nome se escreve fundo...”
Para quem quiser contribuir com a expansão do Projeto, pode ajudar espontaneamente entrando em contato pelo e-mail zemauromt@hotmail.com, ou pelos telefones (51) 3459 3703 e (51)9364 7048 – teremos prazer em informar como você pode contribuir. Paz profunda, amor e luz. Grande abraço!

Silvia Adriana e Zé Mauro

Domingo foi dia de oficina de fotografia aos desbravadores


No domingo, dia 23, foi dia de ministrar o primeiro módulo da especialidade de fotografia aos desbravadores. Pela manhã, eu e a Ingrid atendemos o chamado do amigo Abraão para a realização da oficina.
Fui presenteado com a obra "A Grande Esperança", de Ellen G. White. O livro veio com a dedicação do Clube de Desbravadores Pioneiros do Vale, assinado pelo diretor Marcelo Guimarães. Eu e a Ingrid agradecemos a acolhida da turma.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Câmara de Esteio aprova moção de apoio à Água Pública


“A água é um bem comum. Um direito de todos”, afirmou o vereador Leo Dahmer (PT), nesta terça-feira(05), durante a aprovação da Moção de Apoio de sua autoria à PEC da Água. Para Dahmer, é necessário evitar no Estado processos como o que aconteceu em Uruguaiana, onde a população saiu prejudicada com a mudança no custa da tarifa. No texto da moção o vereador reforça que o tema merece regramento especial. A Proposta de Emenda 206/2011, apresentada pelo deputado estadual Luis Fernando Schmidt (PT), determina que estes serviços só poderão ser prestados por empresas públicas ou de economia mista sob o controle do poder público estadual ou municipal.
A emenda estabelece também que o Estado ou o município deverá deter, no mínimo, 51% do capital votante e 51% do capital social destas empresas, proibindo a delegação de gestão a empresas privadas.

A PEC 206/2011 aguarda votação na Assembleia Legislativa. Para ser aprovada, ela precisa passar pela apreciação do plenário, em dois turnos de votação. São necessários 33 votos para a sua aprovação. “É fundamental mantermos a água pública. Por isso precisamos trabalhar para a aprovação da PEC”, disse o deputado estadual Raul Pont (PT).

“Nosso propósito é de assegurar que as questões de ordem social prevaleçam sobre razões econômicas. As águas de domínio do Estado são um bem público essencial, cujo uso deve ficar subordinado ao interesse da população”, justifica o deputado Schmidt.

Representantes do Sindiágua/RS, o Coletivo Feminista Vânia Araújo e o Comitê Gaúcho em Defesa da Água Pública estiveram presentes na Sessão da Câmara de Vereadores de Esteio para defender o caráter público dos serviços de saneamento.

Confira a Moção na íntegra

Leonardo Dahmer, Vereador pela bancada do Partido dos Trabalhadores, requer, após cumpridas as formalidades regimentais e ouvido o Douto Plenário, que seja encaminhada moção de apoio à Proposta de Emenda à Constituição 206/2011, a PEC da Água, proposta pelo deputado estadual Luis Fernando Schmidt (PT), com cópia para os demais parlamentares da Assembleia Legislativa.

Motivo:

Esta moção é uma construção entre o Coletivo Feminista Vânia Araújo (integrante do Comitê em Defesa da Água Pública) e nosso mandato realizada através do entendimento que a PEC da Água, proposta pelo deputado estadual Luis Fernando Schmidt, tem grande importância, pois reforça a luta contra a privatização dos recursos naturais e dos serviços públicos necessários para cada cidadão gaúcho. A PEC estabelece que os serviços de saneamento ambiental do Rio Grande do Sul deverão ser, obrigatoriamente, executados por empresas públicas ou empresas de economia mista com controle estatal.

O propósito do projeto é afastar o risco da vez mais presente de privatização do setor. No Rio Grande do Sul, Uruguaiana é uma das cidades que já está sofrendo o mal desta privatização. Na cidade, os usuários são obrigados a pagar preço minimo referente ao consumo de 10m², fazendo com que a tarifa fique mais cara. Atualmente, não existe nenhuma garantia legal de que os serviços de saneamento permaneçam sob controle público.

Tarso rechaça editorial da RBS

Governador Tarso Genro, durante conferência proferida no Ministério Público do RS
O grupo RBS publicou um editorial neste sábado (22) manifestando “estarrecimento” pelo que chama de “ataque desfechado pelo governador Tarso Genro ao jornalismo investigativo”. O editorial acusa o governador de sustentar uma posição que “tende a interessar mais aos corruptos do que aos cidadãos”. ZH acusa Tarso também de querer “restringir preventivamente a liberdade de imprensa” e o trabalho da “imprensa livre e independente”, no momento em que “o país passa por uma limpeza ética”.

Na quinta-feira (20), em meio a uma conferência proferida no Congresso do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Tarso Genro criticou as práticas jornalísticas que denunciam, julgam e condenam, pretendendo substituir as instituições republicanas que têm essas atribuições. A RBS reagiu no mesmo dia, acusando o governador gaúcho de querer “censurar o jornalismo investigativo”. (A íntegra da conferência de Tarso Genro está disponível aqui.)

“A reação violenta da RBS”, declarou o governador Tarso Genro à Carta Maior, “parece querer interditar o debate e o faz através da manipulação da informação sobre a conferência que proferi no Congresso do Ministério Público”. “Essa conferência versa sobre um tema que vem sendo debatido em todo o mundo há mais de vinte anos e que aqui no Brasil ocorre no âmbito da academia e em setores da intelectualidade fora da academia: a superposição das instituições “de fato”, oriundas da força econômica do capital financeiro – agora em crise – sobre as instituições do Estado”. “Ela sequer versava”, acrescentou, “sobre alguma empresa de comunicação em particular ou sobre alguma investigação jornalística, ou, ainda, sobre a liberdade de informar. Tanto é que eu digo claramente na minha exposição:

(…) Não proponho, em absoluto, qualquer controle da informação por parte do Estado. Nem a sonegação de informações relevantes, para que os processos e as investigações tenham ampla publicidade pela mídia que, de resto, pode cumprir o papel político que quiser dentro da democracia. Nem se trata, também, de alegar a existência de uma “conspiração” dos meios de comunicação contra a democracia e o devido processo legal. Trata-se de compreender que já vivemos um período da sociedade da informação em que os poderes de fato, no capitalismo tardio, estão se sobrepondo aceleradamente ao poder das instituições formais do Estado. Isso não ocorre somente em relação à mídia, mas também em relação a outros poderes fáticos oriundos da força econômica dos grupos privados.

O governador acusou a RBS de querer interditar o debate manipulando o conteúdo de sua conferência ao “não publicar nem mencionar o trecho acima que dá sentido à toda a exposição”. “O que proponho – e isto está escrito também no texto da conferência – é uma união das instituições do Estado com os políticos sérios e honestos (que são a maioria em todos os partidos) para combater a corrupção, com mais condições técnicas para os inquéritos, reformas legais que acelerem os processos e os cumprimentos de pena”, afirmou Tarso. E acrescentou:

“O que faz reduzir a corrupção é a punição pelo Estado e não o justiçamento paralelo da mídia, nem as investigações dos repórteres, que obviamente podem ser feitos e devem ser feitos. Mas o produto destas investigações é matéria jornalística e é, portanto, mercadoria-notícia, não prova de crime”.

“Esta atitude da RBS, pretendendo interditar o debate com ameaças de campanhas difamatórias que estão subjacentes no mesmo editorial, marca o ápice da petulância e da arrogância que poucas empresas de comunicação têm a coragem de expor publicamente. Mentem, quando dizem que sou contra o jornalismo investigativo, quando o que sou contra é julgamento sumário de pessoas, independentemente de que sejam culpadas ou não. Mentem quando contrastam dois textos meus sobre assuntos diferentes, mesmo tendo, na Conferência, manifestação explícita da minha parte que confirma a minha posição de princípio a favor da total liberdade da imprensa e de respeito irrestrito ao trabalho dos jornalistas,” disse ainda o governador gaúcho.

Ainda segundo a avaliação do governador, “o sentido da avalanche de críticas que recebi está muito bem exposto no editorial de ZH desta manhã”. Mais precisamente, explicou, “está contido na expressão “limpeza ética”, de origem e marca bem conhecidos na história”. Recentemente na Europa Oriental se falava em “limpeza étnica”. Limpeza se faz num lugar sujo (a política e o país) e quem faz a “limpeza” é o virtuoso (a mídia), nós, humanos sujamos, por isso nem temos o direito de dizer que o processo judicial, o inquérito do Ministério Público e dos órgãos de controle, não podem ser superpostos por justiçamentos e linchamentos públicos, que transformam crimes comuns em crimes políticos e consequentes condenações políticas, sem direito de defesa com a mesma exposição e intensidade das acusações”.

“O editorial”, prosseguiu o governador, “chega a sugerir que estou tentando me proteger de futuras denúncias”. “É jogo sujo: eu poderia dizer, se fizesse o mesmo raciocínio, que quando eles atacam quem quer fortalecer o MP e o Judiciário, para evitar linchamentos públicos, eles estão protegendo corruptos que eles apoiam ou apoiaram. Mas, sinceramente não penso assim. Acho que eles não leram a integralidade da minha conferência e pensaram que ela era dedicada a eles”.

Por fim, Tarso Genro afirmou que não mudará um milímetro a relação que mantém com a RBS e nem com a imprensa em geral. “Essas controvérsias são boas para a democracia. Todos fulminaram sistematicamente Lula e o PT e a esquerda em geral, às vezes até com razão, e nós continuamos vivos e crescendo. Enfrentei seguidas manipulações da imprensa sobre as minhas posições quando Ministro da Justiça: caso da punição dos torturadores, caso Daniel Dantas, caso Battisti, caso Cacciola e nunca perdi a serenidade”. E concluiu:

“Na verdade o que temos com a grande mídia é uma divergência histórica de fundo: no ocaso do modelo neoliberal eles têm que substituir o alvo dos seus ataques, que era o “gigantismo” do Estado, agora é a corrupção e a política em abstrato, sem avaliar as suas origens e fundamentos, que, na verdade estão contidos na fraqueza das leis e das instituições, geradas pelo modelo econômico neoliberal, para combater o crime, a corrupção e o aparelhamento do Estado pelos grandes grupos econômico-financeiros, em detrimento da ampla maioria dos próprios empresários e sociedade em geral”.

Por Carta Maior.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Freitas é lembrado no site do Sindicato dos Metalúrgicos - Ex-presidente Freitas falece aos 63 anos de idade




O Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita lamenta informar para a categoria o falecimento do ex-presidente João Jorge de Freitas Lima, popularmente conhecido no meio sindical como Freitas ou “Freitinhas”.



Hospitalizado desde o mês passado, Freitinhas não resistiu a complicações decorrentes de uma pneumonia e faleceu aos 63 anos de idade de falência de múltiplos órgãos na madrugada desta segunda-feira, 19 de setembro. O corpo foi velado na Capela 3 do Cemitério Ecumênico Cristo Rei, em São Leopoldo, e sepultado no Crematório Metropolitano Cristo Rei no fim da tarde.

Freitas deixa esposa, dona Marisa de Oliveira Lima, e dois filhos, Jeverton Alex e Mariele de Oliveira Lima, advogados que hoje prestam assessoria jurídica para o nosso sindicato, pessoas a quem a entidade dedica a máxima solidariedade neste momento de luto e consternação.

TRAJETÓRIA DE LUTA

Freitinhas iniciou sua militância sindical nos anos 70, em plena ditadura militar, época na qual pessoas que lutavam por democracia e justiça eram considerados uma ameaça ao regime e tratados como se fossem bandidos, terroristas, subversivos, entre outras denominações. Flagrados fazendo articulações e manifestações políticas, eram presos, torturados e, não raro, mortos ou "desaparecidos".

Nem mesmo o fato de Canoas ser "área de segurança nacional" por sediar a Petrobrás e os quartéis da Aeronáutica e do Exército, impediu que, em 1975, com 27 anos de idade, muita coragem e determinação, já como caldereiro da antiga Coemsa (hoje Alstom), Freitinhas se associasse ao Sindicato dos Metalúrgicos e, algum tempo depois, junto com outros companheiros e companheiras de fora da categoria (entre eles, a hoje presidenta Dilma Rousseff e seu marido, o advogado Carlos Araújo, o professor Adair Barcelos, o atual deputado Ronaldo Zulke e o ex-ministro e ex-governador Miguel Rossetto), iniciasse uma oposição metalúrgica em Canoas. Mesmo reunindo-se às escondidas, esta oposição ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores no RS em 1980 e, um ano depois, venceu as eleições do sindicato.

Freitinhas, junto com outros importantes e históricos companheiros, entre eles o então presidente Paulo Paim (hoje senador) e os aposentados Sérgio Matte (ex-presidente da Federação dos Metalúrgicos) e Maria Eunice Wolf (atual secretária Especial de Estratégia e Inovação da Prefeitura de Canoas), ajudou a implantar aqui em nossa base o novo modelo sindical criado por Lula da Silva no ABC paulista, que, na esteira da abertura política, serviu de base para a fundação da CUT em 1983 e contribuiu para a volta da democracia a partir de 1985.

Doze anos se passaram e, inconformado com as irregularidades e com a falta de democracia e transparência imposta pelo ex-presidente Gilmar Pedruzzi - sucessor de Paulo Paim na presidência do sindicato - Freitinhas encabeçou mais uma chapa de oposição em 1993. Junto com ele estavam outros companheiros cutistas que, ao vencerem aquela eleição, deram um novo rumo de conquistas para a categoria, entre eles o atual presidente da Câmara Federal, Marco Maia, o ex-presidente e atual deputado estadual Nelsinho Metalúrgico, o atual presidente da Federação dos Metalúrgicos, Flávio de Souza, o Flavião, e o atual presidente Paulo Chitolina. Herdando uma base metalúrgica desunida e um sindicato falido e sucateado, Freitas enfrentou as adversidades, manteve a luta e teve mão de ferro e inteligência para reerguer moral e financeiramente a entidade durante os seis anos (1993 a 1999) em que presidiu o sindicato.

Durante os anos 1990 e 2000, embora tenha se aposentado como metalúrgico e sindicalista, Freitinhas nunca deixou de trabalhar e militar. Foi candidato a vereador, ajudou os movimentos sociais e, durante os governos municipais de Sandra Silveira e Gilmar Rinaldi, de Esteio, desempenhou importantes cargos na Administração Pública. Por último, era diretor da Secretaria de Obras e Viação da cidade. Freitinhas também nunca deixou de acompanhar o sindicato e suas lutas. Representou como poucos os metalúrgicos aposentados, participou das principais assembleias e foi assíduo frequentador e fiscalizador da entidade, especialmente a Colônia de Férias, em Mariluz, estrutura que ajudou a ampliar e remodelar e pela qual nutria um carinho todo especial. Nas últimas aparições no sindicato, entre maio e julho deste ano (, Freitinhas ajudou a construir apoios e a chapa que, empossada em 1° de setembro, renovou em mais de 40% a direção do sindicato e derrotou um grupo político que, por meio de ataques e mentiras, irresponsavelmente tentou destruir a trajetória de lutas e conquistas das direções cutistas que se sucederam nos últimos 18 anos.

DEPOIMENTOS

"O Freitas deixou um grande legado para o movimento sindical gaúcho, um exemplo a ser seguido pelas novas gerações de dirigentes sindicais de nossa base. Eu e outros companheiros da atual direção aprendemos muito com ele e com certeza vamos dar seguimento ao trabalho que fez no passado", disse o atual presidente Paulo Chitolina.

"Freitas foi fundamental na construção política e estrutural do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas. No passado, também ajudou a construir e fortalecer a nossa federação e a CUT. Mais recentemente, teve papel importantíssimo na luta para manter nosso sindicato unido e nas mãos de pessoas comprometidas com a luta. Vai deixar muitas saudades entre os companheiros e companheiras de luta", avaliou Flávio de Souza, o Flavião, secretário-geral de nosso sindicato e presidente da Federação dos Metalúrgicos.

"A história também foi feita por mentes e corações que não inscreveram seu nome na política institucional, mas que o deixaram esculpido em todas as lutas pela democratização do país, pela dignidade do trabalho, pela solidariedade de classe, pelos ideais de uma sociedade com justiça social. Entre estes combatentes generosos, aos quais o poeta Berthold Brecht referia-se como "indispensáveis", figura agora em nossa memória o recém falecido companheiro João Jorge de Freitas Lima, o Freitinhas", escreveu o deputado federal Ronaldo Zulke no artigo "Freitas: um indivíduo na história".(leia abaixo)




Na foto montagem acima, Freitas em 1993, na vitória da Chapa 2 e em 201, num ato de apoio à candidatura de Paulo Chitolina presidente do sindicato

Por: Geraldo Muzykant - Jornalista e assessor sindical
veja no site do Sindicato

domingo, 25 de setembro de 2011

Freitas: um indivíduo na história

Deputado Federal
Ronaldo Zulke.


A origem do movimento sindical no Brasil remonta ao século 19, quando o centro agrário da economia do país era ainda o café. Nessa época, houve a substituição da mão de obra escrava pelo trabalho assalariado, o lucro do café transferiu-se para a indústria. Não existia então nenhuma legislação de proteção aos trabalhadores. Diante desse quadro de abandono pelo Estado, os primeiros passos organizativos dados pelos trabalhadores foram no sentido de articular “sociedades de socorro e ajuda mútua”. Sem previdência social, os trabalhadores demitidos na velhice eram jogados na mendicância pois inexistia o estatuto da aposentadoria. Cabia a eles mesmos organizarem a assistência aos seus companheiros. O segundo passo foi decorrência do desenvolvimento industrial por ramos de atividade, o que deu origem aos “sindicatos”. Nada disso ocorreu sem muita luta das classes trabalhadoras e sem o papel ativo de militantes que assumiram no chão da fábrica o papel de líderes e, na história, o papel de herois na construção de direitos sociais e políticos para o conjunto do povo brasileiro.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas foi fundado em 1° de setembro de 1960, depois das intensas mobilizações que ocorreram após a morte de Getúlio Vargas. A cidade já era um importante pólo industrial metal-mecânico e concentrava um grande contingente de operários, exigindo uma entidade de representação própria: o Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre e o Sindicato de Metalúrgicos de São Leopoldo, surgidos antes, já não podiam abrigar esta nova base social na região. Oficialmente, foi preciso esperar até 1° de maio de 1963 para que o Ministério do Trabalho reconhecesse o novo sindicato. As dificuldades para sedimentar o movimento sindical foram maiores à medida que Canoas era considerada “área de segurança nacional”, em razão da Petrobrás e dos quartéis do Exército e da Aeronáutica instalados no município.

Sob a ditadura pós-64, o que era difícil tornou-se uma tarefa perigosa por implicar o risco da prisão e da constante perseguição política. Nem assim os trabalhadores renderam-se. Na década de 70, em São Paulo, um ex-retirante conhecido como Lula mobiliza os metalúrgicos em torno de reivindicações econômicas e em nome da liberdade de organização sindical. Nos 80, no Rio Grande do Sul, um lanceiro negro chamado Paim clama ao lado de outros insurgentes por um sindicato combativo, que rompesse com o assistencialismo. A história, no entanto, não foi feita apenas por aqueles que posteriormente alcançaram, com a força do voto popular, a condição de presidente ou senador da República.

A história também foi feita por mentes e corações que não inscreveram seu nome na política institucional, mas que o deixaram esculpido em todas as lutas pela democratização do país, pela dignidade do trabalho, pela solidariedade de classe, pelos ideais de uma sociedade com justiça social. Entre estes combatentes generosos, aos quais o poeta Berthold Brecht referia-se como “indispensáveis”, figura agora em nossa memória o recém falecido companheiro João Jorge de Freitas Lima, o Freitinhas, ex-presidente do Sindicato de Metalúrgicos de Canoas, cuja vida servirá doravante de exemplo às novas gerações de cidadãos no Rio Grande, no Brasil e no mundo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Leia a íntegra do discurso de Dilma na abertura da Assembleia da ONU


Dilma diz 'lamentar' ausência da Palestina na ONU
Ela também defendeu que Brasil tenha lugar no Conselho de Segurança.
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (21), no discurso de abertura do Debate Geral da 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), lamentar a ausência da Palestina na organização.


Leia a íntegra do discurso de Dilma na abertura da Assembleia da ONU
Presidente foi a primeira mulher a fazer discurso de inauguração do evento.
Em discurso, abordou questão palestina, crise e Conselho de Segurança.

A presidente Dilma Rousseff fez na manhã desta quarta-feira (21), em Nova York, o primeiro discurso de uma mulher na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. Leia a íntegra do discurso:

"Senhor presidente da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz Al-Nasser,
Senhor secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon,
Senhoras e senhores chefes de Estado e de Governo,
Senhoras e senhores,
Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo.
É com humildade pessoal, mas com justificado orgulho de mulher, que vivo este momento histórico.
Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste Planeta, que, como eu, nasceram mulher, e que, com tenacidade, estão ocupando o lugar que merecem no mundo. Tenho certeza, senhoras e senhores, de que este será o século das mulheres.
Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje.
Senhor Presidente,
O mundo vive um momento extremamente delicado e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade histórica. Enfrentamos uma crise econômica que, se não debelada, pode se transformar em uma grave ruptura política e social. Uma ruptura sem precedentes, capaz de provocar sérios desequilíbrios na convivência entre as pessoas e as nações.
Mais que nunca, o destino do mundo está nas mãos de todos os seus governantes, sem exceção. Ou nos unimos todos e saímos, juntos, vencedores ou sairemos todos derrotados.
Agora, menos importante é saber quais foram os causadores da situação que enfrentamos, até porque isto já está suficientemente claro. Importa, sim, encontrarmos soluções coletivas, rápidas e verdadeiras.
Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países. Seus governos e bancos centrais continuam com a responsabilidade maior na condução do processo, mas como todos os países sofrem as conseqüências da crise, todos têm o direito de participar das soluções.
Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É, permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e algumas vezes, de clareza de ideias.
Uma parte do mundo não encontrou ainda o equilíbrio entre ajustes fiscais apropriados e estímulos fiscais corretos e precisos para a demanda e o crescimento. Ficam presos na armadilha que não separa interesses partidários daqueles interesses legítimos da sociedade.
O desafio colocado pela crise é substituir teorias defasadas, de um mundo velho, por novas formulações para um mundo novo. Enquanto muitos governos se encolhem, a face mais amarga da crise – a do desemprego – se amplia. Já temos 205 milhões de desempregados no mundo. 44 milhões na Europa. 14 milhões nos Estados Unidos. É vital combater essa praga e impedir que se alastre para outras regiões do Planeta.
Nós, mulheres, sabemos, mais que ninguém, que o desemprego não é apenas uma estatística. Golpeia as famílias, nossos filhos e nossos maridos. Tira a esperança e deixa a violência e a dor.
Senhor Presidente,
É significativo que seja a presidenta de um país emergente, um país que vive praticamente um ambiente de pleno emprego, que venha falar, aqui, hoje, com cores tão vívidas, dessa tragédia que assola, em especial, os países desenvolvidos.
Como outros países emergentes, o Brasil tem sido, até agora, menos afetado pela crise mundial. Mas sabemos que nossa capacidade de resistência não é ilimitada. Queremos – e podemos – ajudar, enquanto há tempo, os países onde a crise já é aguda.
Um novo tipo de cooperação, entre países emergentes e países desenvolvidos, é a oportunidade histórica para redefinir, de forma solidária e responsável, os compromissos que regem as relações internacionais.
O mundo se defronta com uma crise que é ao mesmo tempo econômica, de governança e de coordenação política.
Não haverá a retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificarem os esforços de coordenação entre os países integrantes da ONU e as demais instituições multilaterais, como o G-20, o Fundo Monetário, o Banco Mundial e outros organismos. A ONU e essas organizações precisam emitir, com a máxima urgência, sinais claros de coesão política e de coordenação macroeconômica.
As políticas fiscais e monetárias, por exemplo, devem ser objeto de avaliação mútua, de forma a impedir efeitos indesejáveis sobre os outros países, evitando reações defensivas que, por sua vez, levam a um círculo vicioso.
Já a solução do problema da dívida deve ser combinada com o crescimento econômico. Há sinais evidentes de que várias economias avançadas se encontram no limiar da recessão, o que dificultará, sobremaneira, a resolução dos problemas fiscais.
Está claro que a prioridade da economia mundial, neste momento, deve ser solucionar o problema dos países em crise de dívida soberana e reverter o presente quadro recessivo. Os países mais desenvolvidos precisam praticar políticas coordenadas de estímulo às economias extremamente debilitadas pela crise. Os países emergentes podem ajudar.
Países altamente superavitários devem estimular seus mercados internos e, quando for o caso, flexibilizar suas políticas cambiais, de maneira a cooperar para o reequilíbrio da demanda global.
Urge aprofundar a regulamentação do sistema financeiro e controlar essa fonte inesgotável de instabilidade. É preciso impor controles à guerra cambial, com a adoção de regimes de câmbio flutuante. Trata-se, senhoras e senhores, de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas como pelo artifício do câmbio fixo.
A reforma das instituições financeiras multilaterais deve, sem sombra de dúvida, prosseguir, aumentando a participação dos países emergentes, principais responsáveis pelo crescimento da economia mundial.
O protecionismo e todas as formas de manipulação comercial devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade de maneira espúria e fraudulenta.
Senhor Presidente,
O Brasil está fazendo a sua parte. Com sacrifício, mas com discernimento, mantemos os gastos do governo sob rigoroso controle, a ponto de gerar vultoso superávit nas contas públicas, sem que isso comprometa o êxito das políticas sociais, nem nosso ritmo de investimento e de crescimento.
Estamos tomando precauções adicionais para reforçar nossa capacidade de resistência à crise, fortalecendo nosso mercado interno com políticas de distribuição de renda e inovação tecnológica.
Há pelo menos três anos, senhor Presidente, o Brasil repete, nesta mesma tribuna, que é preciso combater as causas, e não só as consequências da instabilidade global.
Temos insistido na interrelação entre desenvolvimento, paz e segurança; e que as políticas de desenvolvimento sejam, cada vez mais, associadas às estratégias do Conselho de Segurança na busca por uma paz sustentável.
É assim que agimos em nosso compromisso com o Haiti e com a Guiné-Bissau. Na liderança da Minustah, temos promovido, desde 2004, no Haiti, projetos humanitários, que integram segurança e desenvolvimento. Com profundo respeito à soberania haitiana, o Brasil tem o orgulho de cooperar para a consolidação da democracia naquele país.
Estamos aptos a prestar também uma contribuição solidária, aos países irmãos do mundo em desenvolvimento, em matéria de segurança alimentar, tecnologia agrícola, geração de energia limpa e renovável e no combate à pobreza e à fome.
Senhor Presidente,
Desde o final de 2010, assistimos a uma sucessão de manifestações populares que se convencionou denominar “Primavera Árabe”. O Brasil é pátria de adoção de muitos imigrantes daquela parte do mundo. Os brasileiros se solidarizam com a busca de um ideal que não pertence a nenhuma cultura, porque é universal: a liberdade.
É preciso que as nações aqui reunidas encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos a condução do processo.
Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas.
Apoiamos o Secretário-Geral no seu esforço de engajar as Nações Unidas na prevenção de conflitos, por meio do exercício incansável da democracia e da promoção do desenvolvimento.
O mundo sofre, hoje, as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia, inaugurando novos ciclos de violência, multiplicando os números de vítimas civis.
Muito se fala sobre a responsabilidade de proteger; pouco se fala sobre a responsabilidade ao proteger. São conceitos que precisamos amadurecer juntos. Para isso, a atuação do Conselho de Segurança é essencial, e ela será tão mais acertada quanto mais legítimas forem suas decisões. E a legitimidade do próprio Conselho depende, cada dia mais, de sua reforma.
Senhor Presidente,
A cada ano que passa, mais urgente se faz uma solução para a falta de representatividade do Conselho de Segurança, o que corrói sua eficácia. O ex-presidente Joseph Deiss recordou-me um fato impressionante: o debate em torno da reforma do Conselho já entra em seu 18º ano. Não é possível, senhor Presidente, protelar mais.
O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea; um Conselho que incorpore novos membros permanentes e não-permanentes, em especial representantes dos países em desenvolvimento.
O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho. Vivemos em paz com nossos vizinhos há mais de 140 anos. Temos promovido com eles bem-sucedidos processos de integração e de cooperação. Abdicamos, por compromisso constitucional, do uso da energia nuclear para fins que não sejam pacíficos. Tenho orgulho de dizer que o Brasil é um vetor de paz, estabilidade e prosperidade em sua região, e até mesmo fora dela.
No Conselho de Direitos Humanos, atuamos inspirados por nossa própria história de superação. Queremos para os outros países o que queremos para nós mesmos.
O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram.
Senhor Presidente,
Quero estender ao Sudão do Sul as boas vindas à nossa família de nações. O Brasil está pronto a cooperar com o mais jovem membro das Nações Unidas e contribuir para seu desenvolvimento soberano.
Mas lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nesta Assembléia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título.
O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional.
Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia – como deve ser.
Senhor Presidente,
O Brasil defende um acordo global, abrangente e ambicioso para combater a mudança do clima no marco das Nações Unidas. Para tanto, é preciso que os países assumam as responsabilidades que lhes cabem.
Apresentamos uma proposta concreta, voluntária e significativa de redução [de emissões], durante a Cúpula de Copenhague, em 2009. Esperamos poder avançar já na reunião de Durban, apoiando os países em desenvolvimento nos seus esforços de redução de emissões e garantindo que os países desenvolvidos cumprirão suas obrigações, com novas metas no Protocolo de Quioto, para além de 2012.
Teremos a honra de sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho do ano que vem. Juntamente com o Secretário-Geral Ban Ki-moon, reitero aqui o convite para que todos os Chefes de Estado e de Governo compareçam.
Senhor Presidente e minhas companheiras mulheres de todo mundo,
O Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. E que uma verdadeira política de direitos humanos tem por base a diminuição da desigualdade e da discriminação entre as pessoas, entre as regiões e entre os gêneros.
O Brasil avançou política, econômica e socialmente sem comprometer sequer uma das liberdades democráticas. Cumprimos quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, antes 2015. Saíram da pobreza e ascenderam para a classe média no meu país quase 40 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de, até o final do meu governo, erradicar a pobreza extrema no Brasil.
No meu país, a mulher tem sido fundamental na superação das desigualdades sociais. Nossos programas de distribuição de renda têm nas mães a figura central. São elas que cuidam dos recursos que permitem às famílias investir na saúde e na educação de seus filhos.
Mas o meu país, como todos os países do mundo, ainda precisa fazer muito mais pela valorização e afirmação da mulher. Ao falar disso, cumprimento o secretário-geral Ban Ki-moon pela prioridade que tem conferido às mulheres em sua gestão à frente das Nações Unidas.
Saúdo, em especial, a criação da ONU Mulher e sua diretora-executiva, Michelle Bachelet.
Senhor Presidente,
Além do meu querido Brasil, sinto-me, aqui, representando todas as mulheres do mundo. As mulheres anônimas, aquelas que passam fome e não podem dar de comer aos seus filhos; aquelas que padecem de doenças e não podem se tratar; aquelas que sofrem violência e são discriminadas no emprego, na sociedade e na vida familiar; aquelas cujo trabalho no lar cria as gerações futuras.
Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da vida política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje.
Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade.
E é com a esperança de que estes valores continuem inspirando o trabalho desta Casa das Nações que tenho a honra de iniciar o Debate Geral da 66ª Assembleia Geral da ONU.
Muito obrigada."





"Lamento não poder saudar nesta tribuna o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos país dessa assembleia, acreditamos que chega o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título ", afirmou a presidente.
Dilma afirmou que reconhecer "o direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação" é decisivo para as possibilidades de paz no Oriente Médio. "Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional", disse.
"Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia – como deve ser."
Ao abrir o discurso, Dilma Rousseff afirmou que representa "a voz da democracia". Ela é a primeira mulher a fazer o discurso de inauguração do evento, que, por tradição, cabe ao chefe de Estado brasileiro em razão de o Brasil ter sido o primeiro país a aderir ao organismo internacional, em 1945.
"Pela primeira vez na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o debate geral: é a voz da democracia", disse, sendo aplaudida logo depois. "Divido essa emoção com mais da metade dos seres humanos de que esse será o século das mulheres. Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino e são também femininas", completou.
Dilma foi aplaudida também em outra oportunidade, ao defender a reforma dos assentos no Conselho de Segurança da ONU. "[A orientação do conselho] será tão mais acertada quanto mais legítima forem suas decisões, a legitimidade depende cada vez mais de sua reforma. A falta de representatividade no Conselho de Segurança corrói sua efetividade. O mundo precisa de um conselho de segurança que venha refletir a sociedade contemporânea", disse.
Crise
A presidente também disse demonstrar preocupação com a crise econômica internacional. " A ONU precisa emitir com a máxima urgência sinais claros de coesão política e macroeconômica. Há sinais evidentes de que várias economias avançadas se encontram no limiar da recessão", afirmou. "Essa crise é seria demais para que seja administrada por uns poucos países."
Em seu discurso, Dilma exaltou o papel de seu governo em contornar as turbulências da economia internacional. "Mantemos gastos do governo sob rigoroso controle sem que isso comprometa o êxito das políticas sociais nem nosso ritmo de crescimento e investimento".

Não há 'atalhos' para resolver questão palestina, diz Obama na ONU
Americano também pediu 'ação coordenada' contra crise econômica global.
Antes, Dilma abriu a 66ª Assembleia Geral defendendo um Estado Palestino.

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta quarta-feira (21) que não há "atalhos" para terminar o conflito entre israelenses e palestinos, que já dura décadas no Oriente Médio.
Obama afirmou que a paz na região "não virá de resoluções ou declarações da ONU", mas apenas de negociações diretas entre israelenses e palestinos.
"Estou convencido de que não há atalho para encerrar um conflito que durou décadas", disse.
No final das contgas, são os israelenses e os palestinos, e não nós, que devem chegar a um acordo sobre as questões que os dividem: sobre fronteiras e seguranças; sobre refugiados e Jerusalém", disse.
Síria
Obama também disse que "não há desculpa para a falta de ação" e já está na hora de o Conselho de Segurança da ONU impor novas sanções contra o governo da Síria, que reprime violentamente manifestações pró-democracia há seis meses.
"Para nós, a pergunta está clara: Ficaremos ao lado do povo sírio ou de seus opressores?", disse.
Irã e Coreia do Norte
O democrata também afirmou que o Irã e a Coreia do Norte deveriam cumprir suas obrigações mundiais na questão nuclear, o que os levaria a ganhar em maiores oportunidades. Mas alertou sobre o risco de "isolamento" dos países.
"Há um futuro de mais oportunidades para o povo dessas nações se seus governor cumprirem suas obrigações", disse. "Mas, se eles continuarem em um caminho à margem da lei internacional, eles devem enfrentar mais pressão e isolamento."
"O governo iraniano não conseguiu demonstrar que seu programa é pacífico", disse. " A Coreia do Norte ainda tem que tomar passos concretos para abandonar suas armas."
Economia
Obama também afirmou que o mundo precisa de uma ação "urgente e coordenada" para resgatar a economia global.
"Nós apoiamos nossos aliados europeias, à medida que eles reformam suas instituições e encaram seus próprios desafios fiscais", disse.